Guia de Barcelona para indies (de baixo orçamento)

primaverasound2013

Você chega ao Primavera Sound e dá de cara com ESSA paisagem! ♥

O Primavera Sound é um festival de música realizado em Barcelona desde 2001. Ele acontece geralmente no final de maio ou início de junho e tem como objetivo destacar novas tendências na música independente. Cerca de 150 artistas de todo o mundo se apresentam no Parc del Forum, num deslumbrante cenário a beira-mar da capital catalã.

Minha primeira viagem ao exterior na vida foi para a edição 2013 do festival, – fui atrás do The Knife, dupla sueca da qual sou muito fã, mas amei tudo do início ao fim. Iria mais uma vez este ano e já tinha até comprado o ingresso, porém como mudei de casa e faltou verba para fazer as duas coisas, tive que desistir da viagem. Mas como vários amigos vão ficar mais alguns dias e me pediram dicas do que fazer depois do festival, aqui vai um pequeno guia para marinheiros de primeira viagem e pra incentivar quem pensa em conhecer o festival no ano que vem! ;-)

neymarnosjornais

Sport ou A Tribuna?

Barcelona me lembrou muito minha terra natal, Santos, – pelo porto, praia, bikes, velhinhos e farmácias mil. Fora que eu estava por lá bem quando o Neymar assinou com o Barça, só dava a cara dele nos jornais da região, então me senti em casa rapidamente! ;-D

O Primavera Sound

Pra quem nunca foi a um festival no exterior por medo de multidões, lama ou tem mais de 30 anos nas costas, o Primavera Sound é uma porta de entrada perfeita pra isso. O preço do ingresso é bem justo (no ano passado, paguei 175 euros pelos três dias), o piso é todo de concreto, a estrutura é excelente e com acessibilidade total, conta uma praça de alimentação pra todos os gostos (vegetarianos não passam nem um pingo de fome por lá) e o metrô é praticamente na porta [desça na estação The El Maresme-Fòrum, na linha 4, a Amarela]. Sem falar no cenário, que é realmente de tirar o fôlego!

A curadoria do line up é das mais apuradas e é super coerente. Se você gosta de um tipo de som, com certeza vai ver shows de pelo menos outras quatro bandas no mesmo subgênero. [Veja no TimeOutBarcelona um guia temático de atrações]. Ah, e o primeiro dia e vários shows paralelos têm entrada gratuita, então todos que estão pela cidade podem participar pelo menos um pouquinho do festival. ♥

Alguns dos palcos

Entre as atrações que eu mais queria ver este ano estão: Arcade Fire, Temples, St. Vincent, Black Lips e os chilenos do Astro. E, claro, não deixaria de prestigiar a “invasão brasileira”, com Caetano Veloso, Boogarins, Single Parents, Rodrigo Amarant, Móveis Coloniais de Acaju e Black Drawing Chalks. [No site dá pra ver a programação completa.]

O festival também acontece na Sala Apolo e no Parc de la Ciutadella. E como toda a cidade fica em função do Primavera Sound nesse período, então dá pra pegar uma programação paralela bem divertida. Se você ainda tiver pique pra encarar uma balada indie, os clubs mais conhecidos são o Razzmatazz e o Sidecar. Fique de olho na TimeOut Barcelona para não perder nada!

O Primavera Sound conta com dezenas de versões reduzidas das melhores lojas da cidade com discos mil e pôsteres belíssimos. Claro que nos primeiros dias você vai ter muito mais opções de compra, mas procure deixar para o último dia, pois várias lojas fazem bons descontos.

Dica preciosa: o Auditori Rockdelux, – espaço do Parc del Forum onde acontecem alguns dos shows -, conta com vários banheiros limpíssimos. Dá pra fazer o número 2, trocar de roupa, escovar os dentes, retocar a maquiagem, enfim botar a dignidade em dia depois de horas de festival! ;-)

Quero ver na Copa do Rei!

Metrô cheião

A Linha Amarela de lá tava tão cheia quanto a daqui

Pra você ver como não é só em São Paulo acontecem essas coisas, tive o meu celular afanado no primeiro dia do festival! Barcelona é cheia de pick pockets (bate-carteira), que metem a mão no seu bolso e você nem sente, ou então forçam uma trombada contigo nos metrôs. Entonces, todo cuidado é pouco se você estiver sozinho. Fui furtada quando olhava tranquilamente os discos da maravilhosa tenda da londrina Rough Trade. Me distraí um segundo com o celular no bolso lateral do casaco e fuén, já era (ainda bem que era um bem fuleirinho). ;~~

Pra voltar pro seu hostel/hotel, nos dias mais concorridos o metrô fica BEM abarrotado e pode demorar um bom tempo pra conseguir um táxi. Mas no geral é tudo muito bem organizado.

Rolês

Como perdi toda a minha programação, gravada nos aplicativos de celular (fica a lição, imprima seus guias), me deixei levar pela cidade sem quase nada marcado, o que também acabou sendo muito proveitoso. Caminhei muito pelas Ramblas, Bairro Gótico, Paseo de Grácia, e explorei bastante o “meu” bairro, Sant Antoni, onde fiquei hospedada em um quarto que aluguei no AirBNB por 16 euros a diária. Nos últimos dias já estava até dando informações de lá. *rs

Loja Revolver, na Carrer dels Tallers

Loja Revolver, na Carrer dels Tallers

Contei também com a ajuda de uma amiga que mora lá, a querida Roberta, que me levou a lugares que não eram pega-turista e sim frequentados pelos próprios catalães. Além, claro, dos passeios com os amigos queridos do Brasil que encontrei ou que já vieram junto comigo no avião. Creio que trombei com uns 40 brasileiros por lá, o que deixou tudo muito mais acolhedor para mim, que nunca tinha botado os pés para fora do País.

Os pontos turísticos contam com muitas filas e ingressos caros (de 20 euros pra cima), então como eu tinha pouco tempo (nove dias no total) e estava com a grana contadíssima, acabei deixando de lado várias atrações ou só passando em frente. Só entrei na Sagrada Família (cujo ticket custava 30 euros) pois ganhei um convite. Mas esse é um passeio que valeria cada centavo, pois a construção inacabada de Gaudí é realmente belíssima e a sua mitologia impressiona. Nenhum detalhe é gratuito, tudo tem uma explicação.

Não dá pra deixar de passar pela Carrer dels Tallers, em El Raval, que é a “rua indie” de lá. Tem dezenas de lojinhas, brechós, cafés e muitas lojas de discos incríveis. Minhas favoritas: a Revolver (super indie), a Discos Casteló (tem de tudo) e a Daily Records (especializada em soul, mod, punk etc). A Espanha é uma das capitais da soul music na Europa, com vários clubs, festas e bandas dedicadas ao gênero. Infelizmente não consegui pegar nenhuma balada no período em que estive lá, mas comprei vários discos de bandas locais. Destaque pros The Excitements (de Barcelona) e o The Pepper Pots (de Girona). [Veja aqui um guia dos festivais de soul na Espanha].

Não comprei nenhuma roupa por lá pois como a grana era curta foquei apenas nos discos. Mas comprei vários acessórios baratinhos (brincos, colares, cosméticos em versões de bolso) em lojas de rede como a Claire e H&M. Ia dar um pulo na Mar & Nua, loja plus size da qual a querida Fluvia Lacerda é garota propaganda, mas acabou não dando tempo.

Divando com Dalí ao fundo

Te cuida, Gala!

A única peruagem que fiz, depois da maratona do festival, foi relaxar num delicioso spa de banhos árabes, o Aire de Barcelona. Não lembro exatamente quanto custou, não foi barato, mas valeu a pena pois recuperei as energias para encarar o restante da viagem. O Aire conta com vários ambientes com piscinas em várias temperaturas (de 16 graus a 42 graus), banho a vapor e hidromassagem, massagistas e esteticistas. O spa é super reservado e silencioso, só funciona com reserva e em turnos e, claro, nada de selfies, ok? Celulares e máquinas são terminantemente proibidos lá dentro.

Também conheci a simpática cidade de Figueres, onde fica o belíssimo Teatro Museu Salvador Dali, que fica a uma hora de trem de Barcelona. E a linda cidade de Berga, por onde passei com uma excursão dos Castellers de Barcelona (veja abaixo o post sobre isso). Caso o tempo esteja bom, dê uma esticada até as praias da Costa Brava, a parte mais bonita do litoral catalão. Infelizmente não fez um tempo bom quando estive por lá, então acabei não indo.

Tríade sagrada

Tríade sagrada: pa amb tomàquet + jamón + clara

Comes e bebes

Não deixe de conhecer os famosos mercados de Barcelona. Se você não tiver paciência de encarar a multidão do conhecido Mercat de Sant Josep de La Boqueria, procure os menores, do bairro onde você estiver hospedado, que também são tão bons quanto. Todos as manhãs eu dava uma passadinha na estrutura provisória do mercado de Sant Antoni (que está em reformas) para tomar 1 ou 2 copos de sucos deliciosos que custavam só 1 euro cada. Dica: no Boqueria, as barracas da frente são as mais caras, vá até o final para comprar petiscos mais em conta.

Além dos embutidos deliciosos, voltei viciada em pa amb tomàquet! Sim, pão com tomate, a combinação mais simples do mundo mas que a gente nunca percebeu que tem um sabor sem igual. Consiste em cortar no meio um tomate cru e maduríssimo, esfregá-lo com generosidade em uma fatia de pão e regar com azeite (às vezes, com uma estregadinha de leve de um dente de alho). E dá-lhe jamón, butifarra e cerveja Estrela Damn com limão pra acompanhar! ♥ Essa mistura que pode parecer enjoativa pros puristas, é super refrescante e muito tradicional por lá, é a chamada “clara”. Teve uma bebida não alcoólica que tomei por lá que até hoje não entendi do que era feito, hahaha, mas que era muito gostosa: a orchata.

Para comer uma refeição completa, procure nos restaurantes o “menú del día”, que corresponde ao nosso PF. Ela é composta do primer plato, geralmente uma salada caprichada, massa ou embutidos; pelo segundo plato: peixe, frutos do mar ou carne vermelha e por fim o postre (sobremesa): com opções de frutas ou tortas (mas não deixe de provar o creme catalão). Normalmente a refeição é ainda acompanhada por pão, água, vinho e café. Esses menus custam entre 9 e 11 euros!

Dica preciosa: no bar, atenção aos falsos cognatos! Para pedir um copo, peça um VASO, taça de vinho é COPA e TAZA significa xícara. Resumindo: “VASO de água”, “COPA de vino” e “TAZA de té”. Quando quiser algo gelado em países de língua espanhola, peça FRÍO. Se disser HELADO, trarão congelado.

Esta é a minha Barcelona (hehe. Alô, Alvaro Garnero! ♥)

Apresentação dos Castellers de Barcelona em Berga

Apresentação dos Castellers de Barcelona em Berga

Dentre tudo o que vi e vivi na Catalunha, com o que mais fiquei fascinada foi com as apresentações dos castells, as famosas “torres humanas”. Representando a cultura e a essência do povo catalão, os castells acontecem há mais de 200 anos em festivais e competições. Diversas equipes de várias cidades entram em disputas que têm como objetivo criar uma torre humana perfeita tanto na sua formação, quanto no desmonte. Pela sua importância e história, os castells foram declarados em 2010 Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Eles são a metáfora viva do “a união faz a força”. Velhos, jovens, crianças, homens e mulheres, todos participam com igual importância, seja como base, tronco ou topo. Em algumas apresentações até grupos de outras cidades (com cores diferentes) também ajudam a montar os castells, o que formam imagens de encher os olhos de confraternização e união. Frequentei alguns ensaios da equipe dos Castellers de Barcelona, – uma das mais tradicionais da Catalunha -, e fui com eles de ônibus para uma apresentação em Berga, cidade quase nos Pirineus que parece cenário de filme de época, bem pequena e muito charmosa.

Dica preciosa: na sede dos Castellers de Barcelona, que fica próxima ao Metrô Clot (Linha Amarela), há um bar com tapas deliciosos e super baratos. Se você torce pelo Santos FC, arrase contando causos do Neymar, que eles adoram. O site dos Castellers de Barcelona é www.castellersdebarcelona.cat

Arrase no catalão

Não pense que o seu “portunhol” vai facilitar tudo, a maioria das placas em Barcelona é em catalão (com letras miúdas em espanhol). Então pra não se assustar com esse idioma tão pouco familiar aos brasileiros, veja algumas palavras e frases para comunicação básica:

Oi: Hola
Bom dia: Bon dia
Boa tarde: Bona tarda
Boa noite: Bona nit
Adeus: Adéu
Por favor: Si us plau
Muito obrigado: Moltes gràcies ou Merci
Até logo: Fins ara (como “hasta luego”)
Próxima parada (metrô, ônibus, etc.): Propera parada
Hoje: Avui
A conta, por favor: El compte, si us plau!
Desculpe, eu não falo catalão: Perdona’m, no parlo el català
Sou brasileiro: Sóc brasiler(a)
Não entendo: No comprenc
Onde é o banheiro?: Ón es el bany? (se fala “banh”)
Podemos falar em castelhano?: Podem parlar en castellà (se fala “pudém”)
Preciso da sua ajuda: necessito la teva ajuda
É uma emergência: és una emergència
Estou perdido: estic perdut

Eu, Roberta e amigos catalães. Ao fundo, a Sagrada Família

Eu, Roberta e amigos catalães. Ao fundo, a Sagrada Família

iVisca, Catalunya!

Fiz um resumo do que vivi por lá como fã de música (de baixo orçamento), mas a cidade é ótima para vários tipos de turista. Os catalães podem não ser expansivos como os brasileiros, mas são muito gentis, politizados, com um senso de humor peculiar [como não amar um povo que tem como símbolo um boneco fazendo cocô?] e que, acima de tudo, têm muito orgulho da cultura, idioma e belezas de sua região, a Catalunha (sim, eles fazem questão de afirmar que não são espanhóis). Eles vivem agora na expectativa da realização ou não do tão esperado plebiscito da independência, inicialmente agendado para 8 de novembro, mas já marcado e desmarcado por uma dezena de vezes.

Simpatize você ou não com a separação, mergulhe de cabeça na cultura catalã, que é bem diferente da espanhola, mas que é tão rica quanto. ♥

#primaverasoundnosofá

Se você não vai ao festival, ele geralmente é transmitido ao vivo no YouTube! \o/

www.youtube.com/primaverasound

Fotos e mais fotos

Veja mais fotos que eu tirei por lá no Flickr e no Instagram.

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2 comentários sobre “Guia de Barcelona para indies (de baixo orçamento)

  1. Pingback: Apaixonado por Merlí? Conheça um pedacinho da Catalunha em São Paulo | C:Blah Blah Blog

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