Minha primeira experiência em um TEDx

TEDxtê

No último sábado participei pela primeira vez de um TEDx e fiquei muito feliz em ver minha postura altiva nas fotos. Sofri MUITO com a timidez na infância e adolescência e só na idade adulta desbundei e deixei a cara de pau aflorar (não era introvertida não, só estava no armário rsrs). Mas um resquício dessa timidez sempre ficou, tanto que em minha carreira como jornalista sempre preferi escrever, pautar, editar e pesquisar do que ser repórter de rua. E não sofri tanto na transição da carreira para empreendedora da área de moda e eventos pois sempre gostei mais dos bastidores e de produção.

Ao longo da vida participei de vários debates como convidada ou moderadora e fui entrevistada por alguns veículos por conta de meu trabalho com o Pop Plus e mesmo antes, quando atuava com música independente, com a Popscene ou quando fazia o informativo Assessorindie. Mas ainda tenho uma dificuldade enorme em palestrar solo. Na verdade foi já a terceira vez que fiz isso, então até preciso me cobrar menos. Mas como gosto sempre de dar a real, pois a vida não é perfeita, vou contar todo o drama que foi pra mim essa preparação para você, mulher que ainda sofre com isso, saber que não está sozinha!

O convite pro TEDx Laçador, que acontece em Porto Alegre, foi feito há uns nove meses pela querida Ana Goelzer e fiquei muito feliz. Participar de um TEDx virou meta desde que entrei na briga por uma moda mas democrática e pelo respeito às pessoas gordas, pois acho necessário essa discussão sair cada vez mais de nossa bolha e se espalhar por toda a sociedade.

Fiz uma super preparação. Li o livro do Chris Anderson, pesquisei, preparei, escrevi e reescrevi o texto 10 vezes. Fiz aula de expressão corporal, dicção e voz com muito amor, carinho e cuidado com a ajuda da própria Ana, da preparadora vocal Joana Duah (recomendo MUITO!) e tive apoio até da minha psicóloga Célia Regina de Mello. Mas na fase de memorização não consegui ensaiar como eu gostaria, pois meu ritmo de trabalho foi intenso nos últimos meses e o texto não ficou na ponta da língua. E ainda fiquei gripada, com asma e sem voz depois do Pop Plus de junho. Stress, cansaço e ansiedade sempre baixam minha resistência e ferram meu sistema respiratório.

Nos dias anteriores ao TEDx me deu uma PUTA crise de ansiedade, aquelas que dão a ponto de você se questionar “por que aceitei isso?”, “não sou capaz” e “nunca mais”. Tanto houve transmissão ao vivo e não divulguei o link para ninguém, nem para a minha família, rsrs. Só passei pro Hector Lima, meu amor e companheiro que aguenta essas minhas crises.

O TEDx de Lia Vainer Schucman, autora da tese que virou livro “Entre o “encardido”, o “branco” e o “branquíssimo”: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana”

No ensaio geral da véspera fui péssima, tive vários brancos, aí fiquei mais apavorada ainda. Mas aí o que me tranquilizou foi lembrar do TEDx da doutora em Psicologia Social Lia Vainer Schucman e da palestra da maravilhosa médica Júlia Rocha. Elas me mostraram que a técnica ajuda mas que não precisa ser perfeita, o que importa é a mensagem que você tem a passar. Sem falar do texto da Thais Fabris que eu já compartilhei umas 10 vezes. Pra quem ainda não viu é esse aqui:

“Mulher, se um microfone estiver vindo em sua direção, se te chamarem num palco, se te pedirem para apresentar algo, você NÃO, NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA diz “não vou, sou tímida, tenho vergonha” e MUITO MENOS você deixa um homem ir no seu lugar. Ergue sua voz no espaço público. Por você. Por mim. Por todas as que não têm essa chance. Por favor. Por amor. ❤”

Aí respirei fundo e fui. Eu poderia não ter usado a colinha, ter mexido menos os braços, falado menos “né”? Poderia! Mas consegui passar a mensagem e a repercussão foi ótima! Consegui ser eu, falar coisas sérias, tristes e alegres, dar uma improvisada, tanto que passei uns 5 minutos do tempo previsto, rsrs.


Facilitação gráfica da palestra feita por @helice.cc

Muita gente veio falar comigo depois por ter se identificado, por empatia, por ter um parente que é gordo e que vê como a pessoa sofre por ser excluída da sociedade. E me emocionei quando uma médica chegou pra mim e falou, citando Raul Seixas, “eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes”. E aí eu vi que cheguei onde queria chegar, a ajudar nessa mudança de pensamento – como também tem sido feito de forma brilhante por outros ativistas gordos que admiro e que me inspiram diariamente nessa caminhada! REPENSE era justamente o tema do TEDx Laçador 2018.

O mote da minha fala foi sobre como a moda – um universo tido como superficial – abriu minha cabeça para a defesa das ideias e da realidade de outras mulheres gordas como eu. Mas que minha luta, na verdade, não é só sobre moda, beleza ou autoestima e sim sobre autonomia, liberdade e, acima de tudo, respeito. (O vídeo deve entrar no ar em 30 dias, quando estiver pronto eu posto aqui).

Participar do TEDx Laçador foi uma experiência inesquecível, um turbilhão absurdo de emoções da qual nunca vou esquecer tão cedo. Medo, ansiedade, admiração, risos, choro, tudo ao mesmo tempo! Mulheres e homens de origem humilde, pessoas de origem privilegiada, gente como eu e você, todas com algo em comum: pessoas que têm o bichinho da insatisfação dentro de si e que estão fazendo algo pela sua comunidade, quebrando paradigmas e fazendo a sociedade repensar.

Mulher, não é raro que muitas de nós tenhamos receio de nos expressar em público pois é esperado de nós que a gente se cale e só aceite tudo sem questionar. Mas tá com medo, vai com medo mesmo. Pois algumas coisas TÊM QUE ser ditas, ainda mais em tempos como esses! Enfim, cerque-se de uma rede de apoio, prepare-se do jeito que for possível, inspire-se em outras mulheres que você admira, mas jamais deixe passar uma oportunidade de erguer sua voz no espaço público! Você não está sozinha!

Update 23/07 = enfim no ar o vídeo do meu TEDx!

“Eu sou porque nós somos” #Ubuntu

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Transgêneros: a próxima fronteira dos direitos civis

Na capa da Time, assunto que está quicando por aí: os trânsgeneros, a próxima fronteira dos direitos civis. Na capa, a norte-americana Laverne Cox, ativista e atriz da série Orange is the New Black. Dá pra ler a matéria se cadastrando no site da revista http://time.com/135480/transgender-tipping-point

(Ainda sonho com o dia em que definir as pessoas como “atriz trans”, “modelo plus size”, “cantor gay” ou “ator negro” não será mais necessário ♥)

Transgêneros: a última fronteira dos direitos civis

 

Campanha #PorTamanhosMaiores

Dá muito orgulho ver que a excelente entrevista com a top model plus size Fluvia Lacerda feita pelo Virgula, onde trabalho como Editora de Mídias Sociais, repercutiu bastante na internet e foi o estopim de uma campanha chamada Por Tamanhos Maiores. O movimento pretende mobilizar as grandes lojas de departamento a oferecerem em sua grade de confecções peças maiores que o tamanho 48, além de suporte para as consumidoras deste universo.

De um tempinho pra cá a questão da “mulher real” começou a aparecer mais na mídia, o que é bem bacana, mas tem tudo pra ser um modismo passageiro como as modelos atléticas ou o heroin chic. Fora que em 8 de 10 dos ensaios de modelos plus size as mulheres estão nuas ou seminuas, como se único papel das gordinhas fosse o sexual…

Não sou exatamente uma militante plus size pois tenho a intenção de emagrecer, mas sou a favor sim do respeito e da auto-estima higher. E campanhas de auto-afirmação de mulheres fora dos padrões são extremamente importantes enquanto existirem imbecis como o diretor da Agência Mega, que deixou o bom senso e a falta de educação em casa ao falar uma bobagem como a que ele falou na coluna da Monica Bergamo de hoje.

Além do mais, quem é gorda não é obrigada a se vestir com sacos de batatas, não é mesmo? Quem dera termos no Brasil coleções modernas como a da Asos ou a da Beth Ditto pra Evans… Tão desagradável quanto não ter dinheiro é ter e não poder gastar pois dá pra contar nos dedos as lojas onde consigo comprar roupas. A saber, pois merecem a minha recomendação: Amp, Hering, Elvira Matilde, Santa do Cabaré e Palank. Com exceção desta última, que é especializada em tamanhos grandes, as outras contam com o XG ou com G realmente Grande em suas modelagens.

Como disse a Fluvia Lacerda, não adianta só reclamar e não agir. O mercado só ouve quando dói no bolso, então temos que escrever pras revistas de moda exigindo editoriais com mulheres de todos os tipos, cobrar das lojas de departamento modelagens diversas, enfim, mostrarmos pras empresas que somos um público ávido por consumir. De tanto a gente cobrar, quem sabe um dia todas as lojas possam contar com modelos PP, P, M, G e GG e que ver a Fluvia na capa de uma revista seja tão corriqueiro quanto ver a Gisele Bündchen?

Pra quem quiser participar, a tag no Twitter é #PorTamanhosMaiores e este é o selinho da campanha pra usar em seus blogs:

Veja a entrevista com Fluvia abaixo:

Pro diretor da Mega esta mulher é feia, acreditam?