Onde comer a comida colombiana em São Paulo

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Arepas nas ruas de Bogotá

Arepas nas ruas de Bogotá

Quem adora descobrir novidades gastronômicas em São Paulo já deve ter reparado que há cerca de dois anos a Capital ganhou vários restaurantes dedicados à cozinha da Colômbia. Tão rica e saborosa quanto a brasileira, a gastronomia da terra de Gabriel García Marquez tem tudo para fazer cada vez mais sucesso por aqui, assim como a peruana. Depois da Copa do Mundo o interesse pelo país aumentou, já não é mais tão raro trombar com pessoas no metrô usando camisas da seleção colombiana e nem tão difícil ver fotos no Instagram de brasileiros passando férias por lá.

A Colômbia é um belíssimo país andino, amazônico, pacífico, caribenho e com forte influência negra na costa. Peixes, frutos do mar e frutas são muito utilizados no litoral, quase todos os pratos vêm acompanhados por arroz de coco e chips de banana. Nas regiões de maior altitude, onde é necessário mais “sustança” devido ao frio, os caldos e carnes são os mais consumidos. Mas é na comida de rua que está a maior estrela da culinária colombiana, a arepa, uma massa branca de milho circular e achatada, equivalente a tapioca brasileira. A textura “borrachuda” é parecida e a massa em si não tem muito gosto, são os recheios que dão o sabor, geralmente queijo, frango, carne e chorizo.

Limonada de Coco

Limonada de coco de Cartagena

Outros pratos bem famosos são a bandeja paisa (uma espécie de virado à paulista, típico de Medellín), lechona (leitão assado, típico de Tolima), sancocho (uma espécie de cozido da região de Cali), patacones (massa frita de banana) e o meu favorito, o ajiaco santafereño, uma espécia de sopa turbinada que leva frango, milho, batata, arroz e abacate. Só de lembrar já salivei aqui! ;-)

O café da manhã colombiano é uma perdição à parte. Ele conta com arepas, buñuelos, almojábanas, queijos, frios, ovos, sucos, o saboroso caldo de costela e, claro, o café colombiano, considerado o melhor do mundo atualmente. Não sou muito de doces então não fui muito atrás, mas os mais conhecidos estão as obleas e o arequipe. Já de sucos eu sou muito fã e a Colômbia é muito rica em frutas então eu me fartei e experimentava vários por dias. Não deixe de experimentar o suco de lulo e a famosa limonada de coco. Para beber experimente também a tradicional aguapanela, um tipo de “chá de rapadura”, que ajuda a combater os efeitos da altitude, o chá de coca, e o meu refrigerante favorito por lá, o Postobon de maçã. Entre as bebidas alcoólicas, o canelazo é uma deliciosa versão da aguapanela “batizada” de aguardente colombiano e canela. As cervejas mais conhecidas são a Club Colombia (roja, rubia e negra), a Poker e a Aguila.

Sabores de mi tierra, em Pinheiros

Sabores de mi tierra, em Pinheiros

Se depois de todas essas descrições você ficou morrendo de vontade, segue aqui uma listinha dos melhores lugares para se comer comida colombiana em São Paulo, – todos comandados por legítimos colombianos. Se estiver faltando algum me avise nos comentários que eu acrescento! ;-)

1) Sabores de mi tierra O simpático e descontraído lugar que deu origem a onda colombiana em São Paulo. Comandado por Magdalena Torres, nascida em Chaparral, é especializado em arepas e patacones mas volta e meia fazem eventos especiais nos quais apresentam diversos pratos e até o desayuno colombiano. Fica num trecho escondido da Rua Lisboa, em frente ao Instituto Göethe, mas é lugar pra passar horas experimentando de tudo um pouco! Os preços são bem convidativos. Rua Lisboa, 971 – Pinheiros – Telefone: (11) 3083´-3114.

2) Guanahaní O bar e restaurante criado pela colombiana Pupi Lopes tem um perfil um pouco mais sofisticado e privilegia a culinária da costa colombiana. Experimente o ceviche cartagenero. Lá é possível encontrar o suco de lulo! Os drinks de lá também são excelentes. Rua Joaquim Antunes, 391 – Pinheiros – Telefone: (11) 3060-9169. // Update: o restaurante encerrou os seus serviços em 2016. ;-(

3) Maíz Arepas – Ainda em Pinheiros é possível experimentar várias comidas de rua latinoamericanas, como as arepas, tacos, empanadas a preços acessíveis. O restaurante é do premiado chef colombiano Dagoberto Torres, também dono do excelente Suri e sobrinho de Magdalena, do Sabores de mi tierra. Rua Mateus Grou, 472 – Pinheiros – Telefone: (11) 3034-6551.

4) Macondo Raízes Colombianas – O Macondo é um projeto do chef colombiano Jair Abril Rojas para divulgar a culinária de seu país. Suas especialidades são as arepas e patacones. Ele tem participado de feiras gastronômicas e latinas pela cidade. Pra saber onde ele vai estar na semana é só ficar de olho na fanpage. Atualmente estão no Calçadão Urbanóide, na Rua Augusta, 1291 (perto do Ibotirama).

5) Locombia – O Locombia é um trailer dedicado à comida de rua, especialmente as carnes e o delicioso churrasco de costela, além do arepamburguer. Também comandado por colombianos, circulam por várias feirinhas gastronômicas da Capital e promovem eventos com comidas típicas. Fique de olho na fanpage.

6) Rich Burger – Segredinho da Barra Funda, é um quilo tradicional durante a semana que aos sábados oferece almoços tipicamente colombianos. O simpático restaurante de Patricia Escobar oferece ajiaco, sancocho de costilla, bandeja paisa, arroz com camarões em uma tarde com música latina com preços de bairro. Ligue para saber o cardápio do sábado! Rua Barra Funda, 636 – Barra Funda – Telefone: (11) 3825-4980. // Update: infelizmente o restaurante fechou :-(

7) Boteco La Gorgona – Inaugurado em março no Baixo Augusta e mais uma prova de que a comida colombiana está conquistando de vez o paladar do paulistano! O bar criado por um grupo de amigos colombianos promete ter um ponto de encontro para quem procura uma boa bebida, petiscos tradicionais do país e uma conversa descontraída ao som de boa música. Os preços são bem honestos e a trilha de música colombiana moderna é deliciosa. Adorei o sancocho! Rua São Miguel, 22 – Baixo Augusta (travessa da Frei Caneca próxima ao shopping).

8) Café Colombiano – Lá é possível degustar o saboroso café colombiano e vários pratos locais. Na Unidade I servem refeições todos os dias e aos sábados um delicioso buffet por quilo com pratos típicos colombianos. A Unidade II é somente cafeteria com doces e salgados, café, sucos e arepas. Unidade I – Oficina Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363, Bom Retiro. Telefone: (11) 3224-0697; Unidade II – Armazém do Campo – Alameda Eduardo Prado, 499, Campos Elíseos – Telefone: (11) 3333-0652.

9) Restaurante Los Rolos – O novíssimo restaurante, desta vez no Centro, traz o legítimo PF colombiano, sempre acompanhado por uma boa fatia de abacate. No cardápio também constam patacones e o caldo de costilla. Rua Guaianazes, 70 – Campos Elíseos (próximo ao Riconcito Peruano).

10) La Obleas – Bike food que vende a oblea, doce típico colombiano. Trata-se de dois discos de wafer rechados generosamente com dolce de leite (ou aqui no Brasil, com Nutella, leite condensado ou brigadeiro). A bike que participa de eventos por São Paulo é da mesma família do Locombia.

Leia mais: meu post sobre a viagem para Cartagena de Índias

Guia de Barcelona para indies (de baixo orçamento)

primaverasound2013

Você chega ao Primavera Sound e dá de cara com ESSA paisagem! ♥

O Primavera Sound é um festival de música realizado em Barcelona desde 2001. Ele acontece geralmente no final de maio ou início de junho e tem como objetivo destacar novas tendências na música independente. Cerca de 150 artistas de todo o mundo se apresentam no Parc del Forum, num deslumbrante cenário a beira-mar da capital catalã.

Minha primeira viagem ao exterior na vida foi para a edição 2013 do festival, – fui atrás do The Knife, dupla sueca da qual sou muito fã, mas amei tudo do início ao fim. Iria mais uma vez este ano e já tinha até comprado o ingresso, porém como mudei de casa e faltou verba para fazer as duas coisas, tive que desistir da viagem. Mas como vários amigos vão ficar mais alguns dias e me pediram dicas do que fazer depois do festival, aqui vai um pequeno guia para marinheiros de primeira viagem e pra incentivar quem pensa em conhecer o festival no ano que vem! ;-)

neymarnosjornais

Sport ou A Tribuna?

Barcelona me lembrou muito minha terra natal, Santos, – pelo porto, praia, bikes, velhinhos e farmácias mil. Fora que eu estava por lá bem quando o Neymar assinou com o Barça, só dava a cara dele nos jornais da região, então me senti em casa rapidamente! ;-D

O Primavera Sound

Pra quem nunca foi a um festival no exterior por medo de multidões, lama ou tem mais de 30 anos nas costas, o Primavera Sound é uma porta de entrada perfeita pra isso. O preço do ingresso é bem justo (no ano passado, paguei 175 euros pelos três dias), o piso é todo de concreto, a estrutura é excelente e com acessibilidade total, conta uma praça de alimentação pra todos os gostos (vegetarianos não passam nem um pingo de fome por lá) e o metrô é praticamente na porta [desça na estação The El Maresme-Fòrum, na linha 4, a Amarela]. Sem falar no cenário, que é realmente de tirar o fôlego!

A curadoria do line up é das mais apuradas e é super coerente. Se você gosta de um tipo de som, com certeza vai ver shows de pelo menos outras quatro bandas no mesmo subgênero. [Veja no TimeOutBarcelona um guia temático de atrações]. Ah, e o primeiro dia e vários shows paralelos têm entrada gratuita, então todos que estão pela cidade podem participar pelo menos um pouquinho do festival. ♥

Alguns dos palcos

Entre as atrações que eu mais queria ver este ano estão: Arcade Fire, Temples, St. Vincent, Black Lips e os chilenos do Astro. E, claro, não deixaria de prestigiar a “invasão brasileira”, com Caetano Veloso, Boogarins, Single Parents, Rodrigo Amarant, Móveis Coloniais de Acaju e Black Drawing Chalks. [No site dá pra ver a programação completa.]

O festival também acontece na Sala Apolo e no Parc de la Ciutadella. E como toda a cidade fica em função do Primavera Sound nesse período, então dá pra pegar uma programação paralela bem divertida. Se você ainda tiver pique pra encarar uma balada indie, os clubs mais conhecidos são o Razzmatazz e o Sidecar. Fique de olho na TimeOut Barcelona para não perder nada!

O Primavera Sound conta com dezenas de versões reduzidas das melhores lojas da cidade com discos mil e pôsteres belíssimos. Claro que nos primeiros dias você vai ter muito mais opções de compra, mas procure deixar para o último dia, pois várias lojas fazem bons descontos.

Dica preciosa: o Auditori Rockdelux, – espaço do Parc del Forum onde acontecem alguns dos shows -, conta com vários banheiros limpíssimos. Dá pra fazer o número 2, trocar de roupa, escovar os dentes, retocar a maquiagem, enfim botar a dignidade em dia depois de horas de festival! ;-)

Quero ver na Copa do Rei!

Metrô cheião

A Linha Amarela de lá tava tão cheia quanto a daqui

Pra você ver como não é só em São Paulo acontecem essas coisas, tive o meu celular afanado no primeiro dia do festival! Barcelona é cheia de pick pockets (bate-carteira), que metem a mão no seu bolso e você nem sente, ou então forçam uma trombada contigo nos metrôs. Entonces, todo cuidado é pouco se você estiver sozinho. Fui furtada quando olhava tranquilamente os discos da maravilhosa tenda da londrina Rough Trade. Me distraí um segundo com o celular no bolso lateral do casaco e fuén, já era (ainda bem que era um bem fuleirinho). ;~~

Pra voltar pro seu hostel/hotel, nos dias mais concorridos o metrô fica BEM abarrotado e pode demorar um bom tempo pra conseguir um táxi. Mas no geral é tudo muito bem organizado.

Rolês

Como perdi toda a minha programação, gravada nos aplicativos de celular (fica a lição, imprima seus guias), me deixei levar pela cidade sem quase nada marcado, o que também acabou sendo muito proveitoso. Caminhei muito pelas Ramblas, Bairro Gótico, Paseo de Grácia, e explorei bastante o “meu” bairro, Sant Antoni, onde fiquei hospedada em um quarto que aluguei no AirBNB por 16 euros a diária. Nos últimos dias já estava até dando informações de lá. *rs

Loja Revolver, na Carrer dels Tallers

Loja Revolver, na Carrer dels Tallers

Contei também com a ajuda de uma amiga que mora lá, a querida Roberta, que me levou a lugares que não eram pega-turista e sim frequentados pelos próprios catalães. Além, claro, dos passeios com os amigos queridos do Brasil que encontrei ou que já vieram junto comigo no avião. Creio que trombei com uns 40 brasileiros por lá, o que deixou tudo muito mais acolhedor para mim, que nunca tinha botado os pés para fora do País.

Os pontos turísticos contam com muitas filas e ingressos caros (de 20 euros pra cima), então como eu tinha pouco tempo (nove dias no total) e estava com a grana contadíssima, acabei deixando de lado várias atrações ou só passando em frente. Só entrei na Sagrada Família (cujo ticket custava 30 euros) pois ganhei um convite. Mas esse é um passeio que valeria cada centavo, pois a construção inacabada de Gaudí é realmente belíssima e a sua mitologia impressiona. Nenhum detalhe é gratuito, tudo tem uma explicação.

Não dá pra deixar de passar pela Carrer dels Tallers, em El Raval, que é a “rua indie” de lá. Tem dezenas de lojinhas, brechós, cafés e muitas lojas de discos incríveis. Minhas favoritas: a Revolver (super indie), a Discos Casteló (tem de tudo) e a Daily Records (especializada em soul, mod, punk etc). A Espanha é uma das capitais da soul music na Europa, com vários clubs, festas e bandas dedicadas ao gênero. Infelizmente não consegui pegar nenhuma balada no período em que estive lá, mas comprei vários discos de bandas locais. Destaque pros The Excitements (de Barcelona) e o The Pepper Pots (de Girona). [Veja aqui um guia dos festivais de soul na Espanha].

Não comprei nenhuma roupa por lá pois como a grana era curta foquei apenas nos discos. Mas comprei vários acessórios baratinhos (brincos, colares, cosméticos em versões de bolso) em lojas de rede como a Claire e H&M. Ia dar um pulo na Mar & Nua, loja plus size da qual a querida Fluvia Lacerda é garota propaganda, mas acabou não dando tempo.

Divando com Dalí ao fundo

Te cuida, Gala!

A única peruagem que fiz, depois da maratona do festival, foi relaxar num delicioso spa de banhos árabes, o Aire de Barcelona. Não lembro exatamente quanto custou, não foi barato, mas valeu a pena pois recuperei as energias para encarar o restante da viagem. O Aire conta com vários ambientes com piscinas em várias temperaturas (de 16 graus a 42 graus), banho a vapor e hidromassagem, massagistas e esteticistas. O spa é super reservado e silencioso, só funciona com reserva e em turnos e, claro, nada de selfies, ok? Celulares e máquinas são terminantemente proibidos lá dentro.

Também conheci a simpática cidade de Figueres, onde fica o belíssimo Teatro Museu Salvador Dali, que fica a uma hora de trem de Barcelona. E a linda cidade de Berga, por onde passei com uma excursão dos Castellers de Barcelona (veja abaixo o post sobre isso). Caso o tempo esteja bom, dê uma esticada até as praias da Costa Brava, a parte mais bonita do litoral catalão. Infelizmente não fez um tempo bom quando estive por lá, então acabei não indo.

Tríade sagrada

Tríade sagrada: pa amb tomàquet + jamón + clara

Comes e bebes

Não deixe de conhecer os famosos mercados de Barcelona. Se você não tiver paciência de encarar a multidão do conhecido Mercat de Sant Josep de La Boqueria, procure os menores, do bairro onde você estiver hospedado, que também são tão bons quanto. Todos as manhãs eu dava uma passadinha na estrutura provisória do mercado de Sant Antoni (que está em reformas) para tomar 1 ou 2 copos de sucos deliciosos que custavam só 1 euro cada. Dica: no Boqueria, as barracas da frente são as mais caras, vá até o final para comprar petiscos mais em conta.

Além dos embutidos deliciosos, voltei viciada em pa amb tomàquet! Sim, pão com tomate, a combinação mais simples do mundo mas que a gente nunca percebeu que tem um sabor sem igual. Consiste em cortar no meio um tomate cru e maduríssimo, esfregá-lo com generosidade em uma fatia de pão e regar com azeite (às vezes, com uma estregadinha de leve de um dente de alho). E dá-lhe jamón, butifarra e cerveja Estrela Damn com limão pra acompanhar! ♥ Essa mistura que pode parecer enjoativa pros puristas, é super refrescante e muito tradicional por lá, é a chamada “clara”. Teve uma bebida não alcoólica que tomei por lá que até hoje não entendi do que era feito, hahaha, mas que era muito gostosa: a orchata.

Para comer uma refeição completa, procure nos restaurantes o “menú del día”, que corresponde ao nosso PF. Ela é composta do primer plato, geralmente uma salada caprichada, massa ou embutidos; pelo segundo plato: peixe, frutos do mar ou carne vermelha e por fim o postre (sobremesa): com opções de frutas ou tortas (mas não deixe de provar o creme catalão). Normalmente a refeição é ainda acompanhada por pão, água, vinho e café. Esses menus custam entre 9 e 11 euros!

Dica preciosa: no bar, atenção aos falsos cognatos! Para pedir um copo, peça um VASO, taça de vinho é COPA e TAZA significa xícara. Resumindo: “VASO de água”, “COPA de vino” e “TAZA de té”. Quando quiser algo gelado em países de língua espanhola, peça FRÍO. Se disser HELADO, trarão congelado.

Esta é a minha Barcelona (hehe. Alô, Alvaro Garnero! ♥)

Apresentação dos Castellers de Barcelona em Berga

Apresentação dos Castellers de Barcelona em Berga

Dentre tudo o que vi e vivi na Catalunha, com o que mais fiquei fascinada foi com as apresentações dos castells, as famosas “torres humanas”. Representando a cultura e a essência do povo catalão, os castells acontecem há mais de 200 anos em festivais e competições. Diversas equipes de várias cidades entram em disputas que têm como objetivo criar uma torre humana perfeita tanto na sua formação, quanto no desmonte. Pela sua importância e história, os castells foram declarados em 2010 Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Eles são a metáfora viva do “a união faz a força”. Velhos, jovens, crianças, homens e mulheres, todos participam com igual importância, seja como base, tronco ou topo. Em algumas apresentações até grupos de outras cidades (com cores diferentes) também ajudam a montar os castells, o que formam imagens de encher os olhos de confraternização e união. Frequentei alguns ensaios da equipe dos Castellers de Barcelona, – uma das mais tradicionais da Catalunha -, e fui com eles de ônibus para uma apresentação em Berga, cidade quase nos Pirineus que parece cenário de filme de época, bem pequena e muito charmosa.

Dica preciosa: na sede dos Castellers de Barcelona, que fica próxima ao Metrô Clot (Linha Amarela), há um bar com tapas deliciosos e super baratos. Se você torce pelo Santos FC, arrase contando causos do Neymar, que eles adoram. O site dos Castellers de Barcelona é www.castellersdebarcelona.cat

Arrase no catalão

Não pense que o seu “portunhol” vai facilitar tudo, a maioria das placas em Barcelona é em catalão (com letras miúdas em espanhol). Então pra não se assustar com esse idioma tão pouco familiar aos brasileiros, veja algumas palavras e frases para comunicação básica:

Oi: Hola
Bom dia: Bon dia
Boa tarde: Bona tarda
Boa noite: Bona nit
Adeus: Adéu
Por favor: Si us plau
Muito obrigado: Moltes gràcies ou Merci
Até logo: Fins ara (como “hasta luego”)
Próxima parada (metrô, ônibus, etc.): Propera parada
Hoje: Avui
A conta, por favor: El compte, si us plau!
Desculpe, eu não falo catalão: Perdona’m, no parlo el català
Sou brasileiro: Sóc brasiler(a)
Não entendo: No comprenc
Onde é o banheiro?: Ón es el bany? (se fala “banh”)
Podemos falar em castelhano?: Podem parlar en castellà (se fala “pudém”)
Preciso da sua ajuda: necessito la teva ajuda
É uma emergência: és una emergència
Estou perdido: estic perdut

Eu, Roberta e amigos catalães. Ao fundo, a Sagrada Família

Eu, Roberta e amigos catalães. Ao fundo, a Sagrada Família

iVisca, Catalunya!

Fiz um resumo do que vivi por lá como fã de música (de baixo orçamento), mas a cidade é ótima para vários tipos de turista. Os catalães podem não ser expansivos como os brasileiros, mas são muito gentis, politizados, com um senso de humor peculiar [como não amar um povo que tem como símbolo um boneco fazendo cocô?] e que, acima de tudo, têm muito orgulho da cultura, idioma e belezas de sua região, a Catalunha (sim, eles fazem questão de afirmar que não são espanhóis). Eles vivem agora na expectativa da realização ou não do tão esperado plebiscito da independência, inicialmente agendado para 8 de novembro, mas já marcado e desmarcado por uma dezena de vezes.

Simpatize você ou não com a separação, mergulhe de cabeça na cultura catalã, que é bem diferente da espanhola, mas que é tão rica quanto. ♥

#primaverasoundnosofá

Se você não vai ao festival, ele geralmente é transmitido ao vivo no YouTube! \o/

www.youtube.com/primaverasound

Fotos e mais fotos

Veja mais fotos que eu tirei por lá no Flickr e no Instagram.

Espanha, a capital do soul e do funk na Europa

 

Além de bandas como The Excitements, Al Supersonic and the Teenagers, Sweet Vandals e muitos outros grupos de soul e funk, a Espanha também é cenários de grandes festivais de música negra, o que faz do país a capital soulie da Europa. Fiz aqui um pequeno guia pra vocês terem uma ideia:

Festivais:

Madrid Es Negro (Madrid) – janeiro a março
http://www.madridesnegro.com

Black Music Festival (Girona, Catalunha) – março
http://www.blackmusicfestival.com

Mojo Workin’ R&B Weekend (San Sebástian, País Basco) – março
http://www.guregauza.com

Semana de Música Negra de Alicante (Alicante, Comunidade Valenciana) – abril
http://www.eatmysoul.es

Slap Festival (Zaragoza, Aragão) – abril
Enlace Funk Festival (Barcelona, Catalunha) – junho

Imágina Funk Festival (Sierra Mágina, Andalucia) – julho
http://www.imaginafunk.com

Enclave de Agua (Sória, Castela e Leão) – julho
http://www.enclavedeagua.com

Bares/festas:

Explosivo (Zaragoza)
https://www.facebook.com/explosivo.zaragoza

Soul Fingers Sessions (Barcelona)
https://www.facebook.com/SoulFingerSessions

Northern Clot
https://www.facebook.com/northernclot

Afrodisia (Granada)
http://www.boogaclub.com

Boogaclub (Granada)
http://www.boogaclub.com

Sites/blogs:

Blackcelona – http://www.blackcelona.cat
Enlace Funk – http://www.enlacefunk.com
SoulSpain – http://www.soulspain.com

Lojas de discos:

EnNegro – http://www.ennegro.org
Daily Records (Barcelona) – http://www.dailyrecords.es

E a vontade de passar um ano lá conhecendo tudo? ;-)

#fránacolômbia: Parte 1 – Cartagena de Índias (Sim, a resposta é Colômbia! ♥)

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Bandeira da Colômbia no meio do mar do Caribe

Meu interesse pela Colômbia começou por volta de 2009, quando vi no Flickr as fotos de viagens de um casal de amigos para Cartagena de Índias e Bogotá. Achei lindas as imagens e comecei a me informar melhor. Descobri um país de cultura e natureza muito ricos (é um país andino, amazônico, pacífico, caribenho e com influência negra) e em plena reconstrução de sua autoestima e imagem. Comecei também a prestar mais atenção nas bandas e artistas locais, – sobre as quais já falei várias vezes aqui no blog -, foi aí que me apaixonei de vez e decidi que precisava conhecer o país.

Claro que volta e meia ouvia alguma gracinha tipo “nossa, Colômbia, o que você quer fazer lá?”, mas nem dava trela pois a cada matéria que lia ou artista que eu conhecia que eu lia só me encantava mais. Conhecer a Europa e os EUA é bom, eu mesma sonho em conhecer vários países de lá. Mas temos ao nosso lado lugares tão lindos e fascinantes, precisamos eliminar de vez o preconceito com os outros países da América do Sul. E não vale ir pra Buenos Aires ou Santiago só porque parecem a “Europa latina”, né? 

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Em ritmo de Bomba Estéreo

Demorou um tempo pra eu conseguir matar essa vontade, até acabei indo antes pro Primavera Sound, em Barcelona. Mas em maio, através de um amigo, tomei conhecimento do concurso The Answer is Colombia, que premiaria 12 pessoas em todo o mundo para conhecer seis cidades do país. Entrei nos últimos dias do concurso mas fiz uma campanha ferrenha, apurrinhei todos os amigos, parentes, conhecidos, vizinhos e agregados e acabei sendo a primeira colocada, com mais de 260 retweets da minha frase. (Obrigada, obrigada, mil vezes obrigada! ♥)

Entre as seis experiências oferecidas, escolhi Cartagena de Índias e marquei a viagem para 20 de agosto, uma terça-feira. A produção do concurso ainda permitia que você esticasse um período, por sua conta própria, então acabei ficando mais cinco dias em Bogotá (farei outro post à parte sobre a capital). Preparei tudo o que precisava e embarquei feliz rumo à Colômbia.

hotellasamericas

O resort Hotel Las Americas

Na quarta-feira embarquei para Cartagena de Índias, enfim. Descendo na cidade, depois de 1h30 de voo, já senti um calor delicioso, em contraste com clima frio e chuvoso de Bogotá, que é parecido com o de São Paulo. A partir daí, tive praticamente cinco dias de princesa, haha. Tinha motorista para me levar para cima e para baixo, fui nos melhores restaurantes da cidade e fiquei hospedada no Hotel Las Americas, um resort 5 estrelas com nada menos do que 10 piscinas e um atendimento incrível. Não tirei a mão do bolso para nada, só para comprar regalitos para mim e para a minha família! ;-)

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Llorando na Plaza San Pedro Claver

A história de Cartagena de Índias foi marcada pelo sofrimento (inquisição, ataques piratas, escravidão) mas a cidade não tem um pingo de baixo astral. É uma cidade alegre, colorida, segura e bem preservada, uma lição para outras cidades turísticas do Brasil. Em 1984 foi declarada pela Unesco Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Os colombianos são muito amáveis e receptivos e o país vive em listas dos mais amigáveis do mundo. Pra vocês terem uma ideia, em um dos restaurantes que almocei o garçom (camarero) viu a foto da Amy Winehouse como papel de parede de meu celular e imediatamente colocou um CD dela pra tocar. É muito amor! ♥

Um copo de suco custa em média 1000 COP (R$ 1,18)

Um copo de suco custa em média 1000 COP (R$ 1,18)

Todo esse clima de construções coloniais, carruagens passando (carros são proibidos no Centro Histórico), meia iluminação, o céu estrelado e a brisa do mar criam uma deliciosa aura romântica à noite. ♥ Não são poucos os casais passando a lua de mel ou até mesmo fazendo suas cerimônias por lá. Não duvido nada que fazer um casamento por lá saia mais barato do que os preços absurdos de São Paulo. Fica aí a sugestão para futuros pombinhos, haha. ;-)

Em cada esquina de Cartagena de Índias é possível encontrar vendedores de sucos e de frutas, sempre fresquinhos, o que era um alívio tremendo pro calor da cidade. Uma das coisas que mais gostei foi a famosa limonada de coco, bebia umas três por dia. =D Um refresco tão simples que mal dá pra acreditar não termos essa mistura no Brasil. O suco é feito com a carne de coco batida com açúcar e depois acrescido de limonada. Alguns lugares do país já vendem o creme de coco industrializado, aí a mistura fica ainda mais simples. Outras pessoas substituem o creme por sorvete de coco.

El Santísimo, meu favorito

El Santísimo, meu favorito

A culinária da costa colombiana é bem diferente da capital, pois sofre influência africana, caribenha e mediterrânea. Coco, banana, peixes e frutos do mar são muito utilizados. Quase todos os pratos vêm acompanhados por arroz de coco e chips de banana. E como eu AMO peixes e frutos do mar me fartei! ;-) Entre os restaurantes, o meu favorito foi o El Santísimo, que oferece o “plano milagre” a 85.000 COP (equivalente a R$ 100,54), com o cardápio à sua disposição, com bebida e comida ilimitadas por 2 horas. Outro do qual gostei muito foi o Club de Pesca, que tem uma vista de tirar o fôlego.

Nesses restaurantes mais finos um bom jantar por pessoa custa em média 80.000 COP (equivalente a R$ 94), incluindo entrada, prato principal, sobremesa e um suco. Mas dá pra encontrar outros bem mais baratos. Não se esqueçam de que eu estava no esquema “like a boss”! =D Outros que eu conheci foram: Restaurante San Pedro, FM Restaurante (o do garçom fã da Amy), Palo Santo e Vera, cada um com o seu charme.

Na Cidade Amuralhada fiz o circuito “La Cartagena de Gabo”, passando pelos lugares importantes na vida e obra do escritor colombiano Gabriel García Marquez. Por uma falha de caráter, nunca havia lido nada do autor, – o que estou corrigindo agora -, mas quem é fã do escritor com certeza irá se emocionar ainda mais reconhecendo os cenários que o inspiraram e que são citados em seus livros. Com a ajuda de um mapinha e um audioguia, esse passeio pode ser adquirido de um quiosque dentro da Catedral, é só alugar o aparelho e devolvê-lo em até quatro horas.

Rua da Cidade Amuralhada

Rua da Cidade Amuralhada

Para passear pela Cidade Amuralhada arme-se de um tênis bem macio, chapéu ou boné, roupas leves, filtro solar, água, óculos escuros, dinheiro trocado e uma câmara fotográfica bem carregada e com muito espaço. Dá pra perder horas passeando pela cidade e descobrindo vários cantinhos. Se você é um fotógrafo razoável, – o que não é o meu caso -, dá pra voltar com fotos lindíssimas.

Uma das coisas que torna a Colômbia tão interessante é a presença negra, principalmente na costa. É o 3º maior país do continente americano em população negra, depois dos Estados Unidos e o Brasil, – com 7 milhões de negros -, dentro de uma população de 47,7 milhões. A escravidão no país foi tão cruel como em outros lugares, mas a cultura africana acabou influenciando fortemente a economia, culinária, política, idioma e cultura. Não deve ser à toa que o país é tão rico também musicalmente, com mais de 80 ritmos autóctones (dizem que o número de ritmos folclóricos passa de mil). ♥

La palenquera, vendedora de frutas, figura típica de Cartagena

La palenquera, vendedora de frutas, figura típica de Cartagena

As praias da cidade de Cartagena são urbanas, com areia escura, águas não muito claras e pouco atrativas. Então, pra conhecer praias mais bonitas você tem que pegar um barco ou lancha para ilhas mais distantes. Fiz uma visita ao Oceanario Islas del Rosario e depois à famosa Playa Blanca, na Isla Baru, com suas areias branquinhas e o mar verdinho e tranquilo. Cartagena de Índias é considerada a porta de entrada do Caribe e não é tão cara quanto Aruba, Cancún, Bermuda etc. O único inconveniente da Playa Blanca são os vendedores e massagistas um pouco insistentes. Seja firme no “no, gracias”. Mas a praia é lindíssima e valeu o passeio. Eu iria também para a Isla Majagua, mas fiquei resfriada por causa da mistura de calorzão + ar condicionado no talo no hotel e acabei desistindo. :-(

Para comprinhas, vá até Las Bóvedas, um centro de arte e artesanato que reúne várias lojinhas. Há acessórios e bolsas lindíssimos na cidade (as mochillas colombianas são famosas e custam uma fortuna no Brasil) mas, como em qualquer cidade turística, saiba regatear o preço. E como a Colômbia é um dos maiores produtores de esmeraldas, há várias lojas de joias com a pedra preciosa. Se você viajar com mais dindim no bolso, aproveite, dá pra achar brincos bem bonitos a partir de 50.000 COP (R$ 59,14).

Cartagena de Índias é cidade para mochileiros solitários, casais, famílias e turmas de amigos, há encantos para todo tipo de turista. Faça sua programação mas reserve pelo menos um dia pra se perder pela cidade. Creio que com cinco dias já dá pra fazer e conhecer bastante coisa. A única coisa que não consegui, pois viajei sozinha e fiquei sem graça, foi pegar uma boa noitada de salsa. Mas isso fica pra próxima oportunidade pois com certeza vou querer voltar para a cidade. ;-)

No meu Instagram @flaviadurante dá pra ver mais fotos da viagem.

Fiz uma lista no Foursquare de lugares a conhecer na Colômbia. Não consegui ir a todos mas fica a dica.

A paradisíaca Playa Blanca, na Isla Baru

A paradisíaca Playa Blanca, na Isla Baru

Dicas da Frá:

Algumas coisinhas que aprendi nessa minha (ainda) curta vida de viajante. ;-)

* Para viajar para a Colômbia não é necessário visto ou passaporte, apenas carteira de identidade (RG). Carteira de motorista, certidão de nascimento e CPF, no entanto, não são aceitos. Mas com o passaporte elimina o preenchimento de uma ficha na migração e dá a impressão de que você é mais “respeitado”, então tire um dia pra fazer isso logo, caso você ainda não tenha um. Tirei o meu em uma tarde no Shopping Light, no Centro de São Paulo (veja infos aqui).

* Teoricamente ainda é necessário tomar a vacina de febre amarela para viajar a Cartagena. Cheguei a tomar e levar a documentação mas ninguém me pediu nada na chegada. Mas como diz o Riq Freire, tome logo e elimine essa preocupação por dez anos. Por incrível que pareça, consegui tomá-la em menos de 15 minutos no Ambulatório do Viajante, no Hospital das Clínicas.

* Oferecem voos para a Colômbia a companhias Avianca, Copa, TACA e LAN.

* Li alguém falando que uma das maiores causas de extravio de bagagens são as etiquetas de voos antigos que continuam coladas nas malas. É bonito mostrar que é viajado mas retire todas de sua mala.

* Se a sua mala é verde, preta, azul marinho e fácil de confundir com outras centenas, coloque uma bag tag ou fitas de tecido bem coloridas para identificá-la mais rapidamente na esteira.

* O peso colombiano (COP) é a moeda oficial do país. Dificilmente as casas de câmbio no Brasil têm essa moeda pra vender, então troque direto na Colômbia. Ou, melhor ainda, leve dólares, pois pagam pouco pelo real. No Aeroporto Internacional El Dorado (de Bogotá) há uma casa de câmbio no primeiro andar, ao lado da Porta 4. Como a contagem é feita em milhares não vá achando que você está “rico” e torrar tudo, haha! Não é tanta diferença assim de BRL para COP, então imagine que 1.000 é 1 real.

* Não tenho cartão de crédito internacional, mas quando fui para Barcelona fiz o Cash Passport Card (Multimoeda), que é como se fosse um cartão pré-pago. Você tem que controlar direitinho o que gasta por dia, mas pelo menos não paga altas taxas de IOF e não volta pra casa com dívidas. \o/ E caso acabe o dinheiro no meio da viagem dá para pedir pra alguém recarregar o seu cartão do Brasil apenas com o seu CPF.

* Ande sempre com trocadinhos pois nem sempre os comerciantes de Cartagena dispõe de troco para notas altas ou máquinas de cartões de débito e crédito, principalmente nas praias.

* A Colômbia tem duas horas a menos em relação à São Paulo (GMT/UTC – 05:00 hour).

* A energia elétrica é de 110 volts. As tomadas são do tipo americano, com dois pinos planos.

* Rumba/rumbear: não é apenas o ritmo musical. É também como os colombianos chamam as festas/baladas. ;-)

* Recorrido são as rotas/passeios.

* Nos restaurantes, uma refeição geralmente é composta por pan y mantequilla (pão e manteiga), entrada, plato fuerte (prato principal) e postre (sobremesa). Para beber, jugo (suco), cerveza (cerveja) ou gaseosa (refrigerante).

* Clave de wi-fi: senha de wi-fi (com pronúncia americanizada mesmo). Quase todos os estabelecimentos comerciais contam com uma boa conexão.

* A la orden (às ordens, em português) é provavelmente a frase que você mais ouvirá dos amáveis e prestativos colombianos. ♥

Nos próximos dias, #fránacolômbia: Parte 2 – Bogotá (amor eterno ♥ ♥ ♥)