Vídeos da Neil Young Spring Solo Tour! DE CHORAR DE JOELHOS!

Vi o fotógrafo Otávio Sousa, – em viagem pelos Estados Unidos com a esposa, Nani Escotesguy -, comentar no Facebook sobre esse show do Neil Young em Nova York e fui fuçar trechos no YouTube.

Apenas o Neilzão no palco do Lincoln Center, vários instrumentos (pianos, guitarra com e sem drive, gaita, violão…), e o mestre brincando com cada um deles e tocando o que vinha na sua cabeça! Olha só o setlist:

My My Hey Hey (Out of the Blue)
Tell Me Why
Helpless
You Never Call
Peaceful Valley Boulevard
Love and War
Down by the River
Hitchhiker
Ohio
Sign of Love
Leia
After the Gold Rush
I Believe in You
Rumblin’
Cortez the Killer
Cinnamon Girl

Walk With Me

De chorar de joelhos! ;~~ Depois de ter visto o Neilzão com o Crazy Horse no Rock in Rio 3 não seria nada mal vê-lo novamente no Brasil, desta vez com esse show solo!

MUITO OBRIGADA, MUNDO, É POR ESSE TIPO DE COISA QUE A VIDA AINDA É BELA!

Neil Young lança dois clipes do álbum "Le Noise"

“Le Noise”, novo álbum do mestre Neil Young, ainda nem foi lançado oficialmente e já tem dois clipes, das músicas “Angry World” e “Hitchhiker”. O disco já saiu por vias não-oficiais e é simplesmente LINDO! Não ia reclamar nem um pouco de ver um show dele novamente (vi no Rock in Rio 3 e foi O show da minha vida)!

Veja os dois clipes abaixo:

Update: saiu mais um, o de “Love and War”

Outro, “Walk With Me”:

Top Shows pós-TIMFA

01) Neil Young no Rock in Rio 3, 2001
02) Teenage Fanclub no SESC Pompéia, 2004
03) Brian Wilson no Tim Festival, 2004
04) REM no Rock in Rio 3, 2001
05) Sonic Youth no Free Jazz, 2000
06) Beastie Boys no Olympia, 1995
07) Björk no Free Jazz, 1996
08) Ramones no Olympia, 1994
09) Kraftwerk no Tim Festival, 2004
10) Belle & Sebastian no Free Jazz, 2001

O Alexandre Matias, que fazia o sensacional Trabalho Sujo e agora está no Correio Popular, é um dos poucos caras atualmente que fazem algo parecido com o jornalismo literário. As lágrimas que eu segurei durante o show acabei de derramar lendo esse texto… Foda!

O tempo não existe
Neil Young e o Crazy Horse fazem um show histórico no Rock in Rio 2001

“Você é como um furacão
Há calma em seus olhos
E eu estou sendo levado
Para algum lugar mais seguro
Onde está o sentimento
Quero te amar
Mas estou sendo levado”
(Like a Hurricane)

Alexandre Matias
do Correio Popular
matias@cpopular.com.br

Quando Neil Young deixou o palco quase às três e meia da madrugada de domingo, o público presente sabia que havia assistido um dos maiores shows de suas vidas. Com sua rara percepção sobre a existência humana, o velho caubói conduziu os mais de cem mil espectadores da noite mais tranqüila do Rock in Rio 2001 a um universo paralelo, onde rock e realidade podem ser a mesma coisa. Esqueça a entrega messiânica do R.E.M., o freak show de Axl Rose e o teatro épico do Iron Maiden. Quando Young e seus velhos companheiros do Crazy Horse subiram ao palco, fizeram uma apresentação antológica, um dos melhores shows de rock já vistos no País. Em pouco menos de duas horas, o velho Young nos mostrou que é possível fazer rock e dizer a verdade, ao mesmo tempo.

Por que a verdade? Porque todos os aparatos do showbusiness se esfacelam à presença do pistoleiro sonoro. O Palco Mundo, hi-tech e hiperbólico, se tornou uma simples garagem caipira, com quatro peões trocando horas de ócio por um exercício artístico superior, onde melodia e barulho fazem parte da mesma linha lógica de raciocínio. Young abre mão de conceitos civilizados e medidas de tempo e espaço, transformando onde quer que esteja em seu pequeno e preciso mundo particular. Aqui, o instinto é a razão e a natureza é o fluxo vigente. Seja no maior festival de rock do mundo ou no quintal de sua casa, o velho bardo canadense não precisa de nada além de sua guitarra para explicar como a vida é simples.

Quando adentrou ao palco principal, colocou o público presente nesta realidade alternativa. A imagem, finalmente palpável a olhares brasileiros, era um clássico perene: quase dois metros de altura, um jeito desengonçado de tocar guitarra (pernas arqueadas, passos largos e trôpegos, entortando-se para os lados à medida que distorcia o som), camiseta de banda (o equivalente norte-americano de camiseta de candidato, no caso, da banda inglesa Placebo), calça jeans e um estratégico chapéu de caubói. Nas mãos, uma coleção de guitarras Gibson Les Paul tão clãssica quanto o dono. Entrou acompanhado de sua corja de bandoleiros musicais: o rotundo guitarrista Frank Sampedro, o baixista Billy Talbot e o baterista Ralph Molina. Vestidos como se estivessem indo para mais uma noitada em um bar de beira de estrada, o grupo começou a aula com Sedan Delivery, do clássico-mor Rust Never Sleeps.

Para delírio do público, a banda emendou o Hey, Hey, My, My (Into the Black), hino country rock de celebração rock’n’roll, cantado em uníssono pela turba. Entre uma música e outra, a banda se entregava à desconstrução sonora, à distorção contemplativa, ao ruído em estado bruto. Era didático: não há diferença entre ordem e caos quando se vive a vida do jeito certo, aproveitando cada minuto, degustando cada experiência, sorvendo sentimentos e sensações independentes de sua origem.

“O amor e só o amor sobrevive”, canta com sábia experiência o cristianismo caipira de Love and Only Love, “o ódio é tudo que você acha que é”. A sabedoria se esconde nas entrelinhas de uma velha canção sertaneja, que canta o amor e o ódio com a mesma intensidade. A microfonia arrefecia para a brisa campestre do country americano, dando a deixa perfeita para a belíssima e clássica Cinnamon Girl, de seu primeiro disco com o Crazy Horse (Everybody Knows This is Nowhere, de 1971). Cada música terminava com uma seqüência de acordes bradados num mesmo ataque, como se toda vez pronunciassem um fim épico. Mas a música crescia a partir dos pedaços de ruído trepidados pela banda e inevitavelmente a coda de barulho tornava-se uma canção à parte, sem refrão, letra, introdução, solo: apenas uma parede de ruído, como se, ao desvendasse a alma por trás do esqueleto formulaico de cada uma das faixas. Nas filigranas da microfonia, poesia indizível, sentimento intraduzível, força que não se fala – se sente.

Fuckin’ Up voltou ao território do rock em estado bruto, para o melhor momento do show – e da minha vida neste meio, embora vocês não precisassem saber disso. A seqüência Cortez the Killer e Like a Hurricane traduzia toda a força natural de Neil Young: a primeira faixa trazia seu hino maior de amor aos povos ditos primitivos, contando a história do colonizador Hector Cortéz, que dizimou a população asteca após ser bem recebido pela mesma. A segunda (com Sampedro ao teclado), sua maior balada de amor, a dura e reconfortante constatação que amor carrega o bem e o mal, o hoje e o sempre, o pequeno e o grande. Ambas músicas se misturaram, num épico sem duração. O relógio – essa maquininha que inventamos para regrar o que não tem regra – marcaram 23 minutos ao todo, mas durante estas duas canções, o tempo parou, estático, e Neil Young o segurou na mão (com os dedos sangrando), como uma pequena e opaca gema bruta. Impossível segurar as lágrimas. Rockin’ in the Free World veio de brinde, para sacramentar a geração grunge (foi gravada pelo Pearl Jam) e calar a boca do lema piegas do festival. Mundo melhor, quis dizer Young, é um mundo livre. Keep on rocking.

A banda saiu e voltou com a excelente Powderfinger, outra de Rust Never Sleeps. “Me proteja da pólvora e do dedo”, berrava a familiar voz esganiçada, “cubra-me do pensamento que puxou o gatilho/ Pense em mim como aquele que você pensava que não iria embora tão jovem, com tanto a fazer”. A contrapartida, Down By The River (também de Everybody Knows…), veio em seguida, fazendo o público brasileiro cantar numa só voz o pesar da culpa de um amor mal resolvido. Felizaço, agradeceu ao público com a última, o libelo feminista Welfare Mothers. Ergueu sua guitarra com um largo sorriso e bateu no peito, sem dizer uma palavra ao público. Não precisava.

O tempo voltou ao normal quando as luzes acenderam, mas a lição havia sido profetizada. Para que peder-se com bobagens como dinheiro, fama, sucesso e sorte se tudo que precisamos para viver está dentro de nós? Basta descobrir o amor à vida e cultivá-lo – mas para isso, é preciso que largar tudo e voltar para o campo, pegar a esposa e demitir o emprego, plantar o dia e colher a noite numa safra atemporal. Viver é simples.