Guia de Barcelona para indies (de baixo orçamento)

 

Update: post atualizado em maio de 2021

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Entardecer no Parc del Forum

O Primavera Sound é um festival de música realizado em Barcelona desde 2001. Ele acontece geralmente no final de maio ou início de junho e tem como objetivo destacar novas tendências na música independente. Cerca de 150 artistas de todo o mundo se apresentam no Parc del Forum, num deslumbrante cenário a beira-mar da capital catalã.

Minha primeira viagem ao exterior na vida foi para a edição 2013 do festival, – fui atrás do The Knife, dupla sueca da qual sou muito fã, mas amei tudo do início ao fim. Iria mais uma vez em 2014 mas tive que cancelar e vender o ingresso. Depois fui em 2016 e em 2019. Como vários amigos sempre me pedem dicas de como ir ao festival e o que curtir por Barcelona, aqui vai um pequeno guia para marinheiros de primeira viagem e pra incentivar quem pensa em conhecer o Primavera Sound! ;-)

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Barcelona me lembrou muito minha terra natal, Santos, – pelo porto, praia, bikes, velhinhos, maconheiros e farmácias mil. Fora que eu estava por lá bem quando o Neymar assinou com o Barça, só dava a cara dele nos jornais da região, então me senti em casa rapidamente! ;-D

O Primavera Sound

Pra quem nunca foi a um festival no exterior por medo de multidões, lama ou tem mais de 30 anos nas costas, o Primavera Sound é uma porta de entrada perfeita pra isso. O preço do ingresso é bem justo (no ano passado, paguei 175 euros pelos três dias – Update: para 2022, cada final de semana custa 245 euros o pacote), o piso é todo de concreto, a estrutura é excelente e com acessibilidade total, conta uma praça de alimentação pra todos os gostos (vegetarianos não passam nem um pingo de fome por lá) e o metrô é praticamente na porta [desça na estação The El Maresme-Fòrum, na linha 4, a Amarela]. Sem falar no cenário, que é realmente de tirar o fôlego!

A curadoria do line up é das mais apuradas e é super coerente. Se você gosta de um tipo de som, com certeza vai ver shows de pelo menos outras quatro bandas no mesmo subgênero. Ah, e o primeiro dia e vários shows paralelos têm entrada gratuita, então todos que estão pela cidade podem participar pelo menos um pouquinho do festival. ♥

Entre o público você vê gente de todas as idades, fãs de estilos musicais diversos, pessoas com deficiência, casais com filhos pequenos, com carrinhos e tudo, todos curtindo numa boa, no maior respeito. Tem também uma programação infantil, inclusive. 

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Alguns dos shows que vi em 2013: Deerhunter, The Knife, Savages, Dexys, Tame Impala

O festival também acontece na Sala Apolo e no Parc de la Ciutadella. E como toda a cidade fica em função do Primavera Sound nesse período, então dá pra pegar uma programação paralela bem divertida. Se você ainda tiver pique pra encarar uma balada indie, os clubs mais conhecidos são o Razzmatazz e o Sidecar. Fique de olho na TimeOut Barcelona para não perder nada e ver quais casas ainda vão estar aberta pós pandemia.

O Primavera Sound conta com dezenas de versões reduzidas das melhores lojas da cidade com discos mil e pôsteres belíssimos. Claro que nos primeiros dias você vai ter muito mais opções de compra, mas procure deixar para o último dia, pois várias lojas fazem bons descontos.

Dica preciosa: o Auditori Rockdelux, – espaço do Parc del Forum onde acontecem alguns dos shows -, conta com vários banheiros limpíssimos. Dá pra fazer o número 2, trocar de roupa, escovar os dentes, retocar a maquiagem, enfim botar a dignidade em dia depois de horas de festival! ;-)

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Esse era o banheiro químico de 2019, que maravilha

Update 2021: Seguro ingresso

Existe um seguro ingresso (cancellation insurance/seguro anulación) por volta de 10 euros que você pode comprar ao finalizar a compra. Com ele você pode ter o seu valor ressarcido caso haja algum problema e você consiga comprová-lo. Eu comprei o seguro en 2019 pro festival de 2020. Não ativei e pedi devolução do valor pois ainda tenho esperança de ir em 2022, mas acredito que devam ter incluído o item pandemia esse ano. Fiquem atentos!

Saída de festival – o sufoco é sempre o mesmo

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Metrô cheião

Pra você ver como não é só em São Paulo acontecem essas coisas: em 2013 tive o meu celular afanado no primeiro dia do festival! Barcelona é cheia de pick pockets (bate-carteira), que metem a mão no seu bolso e você nem sente, ou então forçam uma trombada contigo nos metrôs. Entonces, todo cuidado é pouco se você estiver sozinho. Fui furtada quando olhava tranquilamente os discos da maravilhosa tenda da londrina Rough Trade. Me distraí um segundo com o celular no bolso lateral do casaco e fuén, já era (ainda bem que era um bem fuleirinho). ;~~

Pra voltar pro seu hostel/hotel, nos dias mais concorridos o metrô fica BEM abarrotado e pode demorar um bom tempo pra conseguir um táxi. Então tente sair antes da muvuca ou tenha muita paciência. Mas no geral é tudo muito bem organizado.

Importante: assim que chegar à cidade, garanta o ticket T-casual (o antigo T-10), que é uma espécie de cartão pré-pago carregado com 10 passagens. O bilhete pode ser usado no metrô, tram (bonde), ônibus, funiculares e trem dentro da área metropolitana de Barcelona. Custa em média 11,95 euros atualmente (valor de 2021). Veja mais infos no Passaporte BCN.

Bairros para ficar

O barcelonês tem pavor de AirBNB e com razão pois essa indústria deixou o aluguel deles bem mais caros, fazendo com que eles se mudassem para cidades da região metropolitana. Mas infelizmente para quem não tem grana para ficar em hoteis ou não tem nenhum conhecido que te hospede, acabam sendo uma opção mais em conta, junto com os hostels. Já fiquei em airbnb ou casa de amigos nos bairros do Sant Antoni, Clot e Sagrada Família e adorei todos. Outros bairros gostosos: Born, Poblenou, Poble Sec. Não recomendo ficar perto do Parc del Forum pois apesar de ter metrô perto é uma área mais afastada, tipo Interlagos. Melhor ficar em um bairro onde você possa passear antes ou depois dos dias de festival. 

Importante: Se for ficar na casa de amigos, não esqueça de pedir a carta-convite ou carta de invitación. É um documento que uma pessoa residente legal na Espanha, ou espanhola, emite para que o convidado estrangeiro possa entrar e permanecer no país como turista. Veja mais informações no site Passaporte BCN.

Rolês por Barcelona

Como em 2013 perdi toda a minha programação, gravada nos aplicativos de celular (fica a lição, imprima seus guias), me deixei levar pela cidade sem quase nada marcado, o que também acabou sendo muito proveitoso. Caminhei muito pelas Ramblas, Bairro Gótico, Paseo de Grácia, e explorei bastante o “meu” bairro, Sant Antoni, onde fiquei hospedada em um quarto que aluguei no AirBNB por 16 euros a diária. Nos últimos dias já estava até dando informações de lá. *rs

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Loja Revolver, na Carrer dels Tallers

Contei também com a ajuda de uma amiga que mora lá, a querida Roberta, que me levou a lugares que não eram pega-turista e sim frequentados pelos próprios catalães. Além, claro, dos passeios com os amigos queridos do Brasil que encontrei ou que já vieram junto comigo no avião. Creio que trombei com uns 40 brasileiros por lá, o que deixou tudo muito mais acolhedor para mim, que nunca tinha botado os pés para fora do País.

Os pontos turísticos contam com muitas filas e ingressos caros (de 20 euros pra cima), então como eu tinha pouco tempo (nove dias no total) e estava com a grana contadíssima, acabei deixando de lado várias atrações ou só passando em frente. Só entrei na Sagrada Família (cujo ticket custava 30 euros) pois ganhei um convite. Mas esse é um passeio que valeria cada centavo, pois a construção inacabada de Gaudí é realmente belíssima e a sua mitologia impressiona. Nenhum detalhe é gratuito, tudo tem uma explicação.

Em 2019 dei sorte de pegar a Noite de Museus, que se celebra todo 18 de maio, no qual de forma gratuita você pode visitar vários museus a noite inteira. Eu recomendo fortemente o Museu Nacional de Arte da Catalunha e o MACBA – Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, que são os meus favoritos de lá.  

Não dá pra deixar de passar pela Carrer dels Tallers, no Raval, que é a “rua indie” de lá. Tem dezenas de lojinhas, brechós, cafés e muitas lojas de discos incríveis. Minhas favoritas: a Revolver (super indie), a Discos Casteló (tem de tudo. Update: essa infelizmente fechou em 2016) e a Daily Records (a minha favorita, especializada em soul, mod, punk etc). A Espanha é uma das capitais da soul music na Europa, com vários clubs, festas e bandas dedicadas ao gênero. Infelizmente não consegui pegar nenhuma balada no período em que estive lá, mas comprei vários discos de bandas locais. Destaque pros The Excitements (de Barcelona) e o The Pepper Pots (de Girona). [Veja aqui um guia dos festivais de soul na Espanha].

Não comprei nenhuma roupa por lá pois como a grana era curta foquei apenas nos discos. Mas comprei vários acessórios baratinhos (brincos, colares, cosméticos em versões de bolso) em lojas de rede como a Claire e H&M. Ia dar um pulo na Mar & Nua, loja plus size da qual a querida Fluvia Lacerda é garota propaganda, mas acabou não dando tempo.

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Divando com Dalí ao fundo

A única peruagem que fiz, depois da maratona do festival, foi relaxar num delicioso spa de banhos árabes, o Aire de Barcelona. Não lembro exatamente quanto custou, não foi barato, mas valeu a pena pois recuperei as energias para encarar o restante da viagem. O Aire conta com vários ambientes com piscinas em várias temperaturas (de 16 graus a 42 graus), banho a vapor e hidromassagem, massagistas e esteticistas. O spa é super reservado e silencioso, só funciona com reserva e em turnos e, claro, nada de selfies, ok? Celulares e máquinas são terminantemente proibidos lá dentro.

Também conheci a simpática cidade de Figueres, onde fica o belíssimo Teatro Museu Salvador Dali, que fica a uma hora de trem de Barcelona. E a linda cidade de Berga, por onde passei com uma excursão dos Castellers de Barcelona (veja abaixo o post sobre isso). Caso o tempo esteja bom, dê uma esticada até as praias da Costa Brava, a parte mais bonita do litoral catalão. Infelizmente não fez um tempo bom quando estive por lá, então acabei não indo.

Em 2016 e 2019 estive em Girona, uma das cidades mais bonitas do mundo, e apenas 1h de trem de Barcelona. Dei a sorte de pegar o Temps de Flors, evento que celebra a chegada da primavera e a cidade fica repleta de decorações com flores. Fica ainda mais linda!

Girona é a cidade dos famosos Irmãos Roca. Ainda não tenho grana para ir no estrelado Celler de Can Roca, que é caríssimo e tem lista de espera de meses! Mas ao menos pude conhecer a Rocambolesc, fabulosa sorveteria do Jordi Roca, e o Can Roca, restaurante dos pais de Joan, Josep e Jordi, onde eles começaram a trabalhar, e que serve uma comida autêntica e deliciosa em um menu completo de cerca de 10 euros! Um dos melhores rolês da vida! 

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Com as irmãs Senlle no restaurante dos pais dos Irmãos Roca

Comes e bebes

Não deixe de conhecer os famosos mercados de Barcelona. Se você não tiver paciência de encarar a multidão do conhecido Mercat de Sant Josep de La Boqueria, procure os menores, do bairro onde você estiver hospedado, que também são tão bons quanto. Todos as manhãs eu dava uma passadinha na estrutura provisória do mercado de Sant Antoni (que está em reformas – Update: reinaugurado em 2018) para tomar 1 ou 2 copos de sucos deliciosos que custavam só 1 euro cada.

Dica preciosa: no Boqueria, as barracas da frente são as mais caras, vá até o final para comprar petiscos mais em conta.

Além dos embutidos deliciosos, voltei viciada em pa amb tomàquet! Sim, pão com tomate, a combinação mais simples do mundo mas que a gente nunca percebeu que tem um sabor sem igual. Consiste em cortar no meio um tomate cru e maduríssimo, esfregá-lo com generosidade em uma fatia de pão e regar com azeite (às vezes, com uma esfregadinha de leve de um dente de alho). E dá-lhe jamón, butifarra e cerveja Estrela Damn com limão pra acompanhar! ♥ Essa mistura que pode parecer enjoativa pros puristas, é super refrescante e muito tradicional por lá, é a chamada “clara”. Teve uma bebida não alcoólica que tomei por lá que até hoje não entendi do que era feito, hahaha, mas que era muito gostosa: a horchata. Não deixe de conhecer a Horchateria Tio Che, criada em 1912, que fica na Rambla de Poblenou. 

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Tríade sagrada: pão com tomate + jamón + clara

Para comer uma refeição completa, procure nos restaurantes o “menú del día”, que corresponde ao nosso PF. Ela é composta do primer plato, geralmente uma salada caprichada, massa ou embutidos; pelo segundo plato: peixe, frutos do mar ou carne vermelha e por fim o postre (sobremesa): com opções de frutas ou tortas (mas não deixe de provar o creme catalão). Normalmente a refeição é ainda acompanhada por pão, água, vinho e café. Esses menus custam entre 9 e 11 euros!

Dica preciosa: no bar, atenção aos falsos cognatos! Para pedir um copo, peça um VASO, taça de vinho é COPA e TAZA significa xícara. Resumindo: “VASO de água”, “COPA de vino” e “TAZA de té”. Quando quiser algo gelado em países de língua espanhola, peça FRÍO. Se disser HELADO, trarão congelado.

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Horchata de chufa, si us plau! Feliz da vida na Horchateria Tio Che

Esta é a minha Barcelona

Dentre tudo o que vi e vivi na Catalunha, com o que mais fiquei fascinada foi com as apresentações dos castells, as famosas “torres humanas”. Representando a cultura e a essência do povo catalão, os castells acontecem há mais de 200 anos em festivais e competições. Diversas equipes de várias cidades entram em disputas que têm como objetivo criar uma torre humana perfeita tanto na sua formação, quanto no desmonte. Pela sua importância e história, os castells foram declarados em 2010 Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

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Apresentação dos Castellers de Barcelona em Berga

Eles são a metáfora viva do “a união faz a força”. Velhos, jovens, crianças, homens e mulheres, todos participam com igual importância, seja como base, tronco ou topo. Em algumas apresentações até grupos de outras cidades (com cores diferentes) também ajudam a montar os castells, o que formam imagens de encher os olhos de confraternização e união. Frequentei alguns ensaios da equipe dos Castellers de Barcelona, – uma das mais tradicionais da Catalunha -, e fui com eles de ônibus para uma apresentação em Berga, cidade quase nos Pirineus que parece cenário de filme de época, bem pequena e muito charmosa.

Dica preciosa: na sede dos Castellers de Barcelona, que fica próxima ao Metrô Clot (Linha Amarela), há um bar com tapas deliciosos e super baratos. Se você torce pelo Santos FC, arrase contando causos do Neymar, que eles adoram. O site dos Castellers de Barcelona é www.castellersdebarcelona.cat

Arrase no catalão

Não pense que o seu “portunhol” vai facilitar tudo, a maioria das placas em Barcelona é em catalão (com letras miúdas em espanhol). Então pra não se assustar com esse idioma tão pouco familiar aos brasileiros, veja algumas palavras e frases para comunicação básica:

Oi: Hola
Bom dia: Bon dia
Boa tarde: Bona tarda
Boa noite: Bona nit
Adeus: Adéu
Por favor: Si us plau
Muito obrigado: Moltes gràcies ou Merci
Até logo: Fins ara (como “hasta luego”)
Próxima parada (metrô, ônibus, etc.): Propera parada
Hoje: Avui
A conta, por favor: El compte, si us plau!
Desculpe, eu não falo catalão: Perdona’m, no parlo el català
Sou brasileiro: Sóc brasiler(a)
Não entendo: No comprenc
Onde é o banheiro?: Ón es el bany? (se fala “banh”)
Podemos falar em castelhano?: Podem parlar en castellà (se fala “pudém”)
Preciso da sua ajuda: necessito la teva ajuda
É uma emergência: és una emergència
Estou perdido: estic perdut

iVisca, Catalunya!

Fiz um resumo do que vivi por lá como fã de música (de baixo orçamento), mas a cidade é ótima para vários tipos de turista. Os catalães podem não ser expansivos como os brasileiros, mas são muito gentis, politizados, com um senso de humor peculiar [como não amar um povo que tem como símbolo um boneco fazendo cocô?] e que, acima de tudo, têm muito orgulho da cultura, idioma e belezas de sua região, a Catalunha (sim, eles fazem questão de afirmar que não são espanhóis). Eles vivem agora na expectativa da realização ou não do tão esperado plebiscito da independência, inicialmente agendado para 8 de novembro, mas já marcado e desmarcado por uma dezena de vezes.

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Eu, Roberta e amigos catalães. Ao fundo, a Sagrada Família

Simpatize você ou não com a separação, mergulhe de cabeça na cultura catalã, que é bem diferente da espanhola, mas que é tão rica quanto. ♥

#primaverasoundnosofá

Se você não vai ao festival, ele geralmente é transmitido ao vivo no YouTube! \o/

www.youtube.com/primaverasound

Fotos e mais fotos

Veja mais fotos que eu tirei por lá no Flickr e no Instagram.

Grupo

Participem do grupo que modero no Facebook: Brasileiros no Primavera Sound 

Update 2021: Fiz uma live em meu Instagram @flaviadurante falando tudo sobre o Primavera Sound 2022 e dando mais dicas! As vendas para a edição 2022 começam neste dia primeiro de junho, não percam. www.primaverasound.com/pt

Se você tem o ingresso de 2020 ou 2021 faça sua escolha para o Weekend 1 ou Weekend 2 até dia 31!!! Confira o seu e-mail para ver se chegou um formulário.

Leia mais: veja como encontrei o Merlí por acaso em Barcelona! 

Barcelona e a Olimpíada Popular de 1936

“Por que você gosta tanto de Barcelona?” – motivo 127

Há 85 anos, 19 de julho de 1936, seria  inaugurada em Barcelona a Olimpíada Popular, uma alternativa antifascista e antirracista às Olimpíadas de Berlim, que o Terceiro Reich queria usar como propaganda do nazismo.

A Olimpíada Popular teria 6 mil atletas de todo mundo que se recusaram a participar dos Jogos Nazi, mais até do que a edição oficial.

Cartaz da Olimpíada Popular de 1936

Muitos dos atletas participantes seriam enviados por sindicatos, clubes, associações, partidos e grupos de esquerda e anarquistas, e não por comitês patrocinados pelo Estado.

Porém o golpe fascista de Francisco Franco, dias antes da abertura, levou à suspensão do evento.

Mas os Jogos de Berlim ficaram marcados pelos feitos de Jesse Owens, atleta negro norte-americano que bateu a suposta superioridade racial dos alemães ao vencer quatro medalhas de ouro nos 100 e 200 metros rasos, no salto em distância e no revezamento 4×100.

Não sou de acompanhar esportes mas adoro história dos Jogos Olímpicos. Uma pena que o desse ano seja em meio a esse caos pandêmico.

Flávia está com um lenço vermelho de bolinhas brancas, ela tem os cabelos vermelhos médios e ondulados, segura uma colher de madeira escondendo o olho esquerdo, está com expressão sorridente, batom vermelho, piercing no nariz e usa roupa verde e avental branco

Sobre cozinha, químicas e depressão

Pode ser um clichê mas a cozinha tem me ajudado a sair da depressão. Troquei o pijama velho com o qual eu ficava o dia todo por um avental. Quando não tenho algum trabalho pago para fazer fico horas no YouTube procurando receitas e depois colocando em prática. Adoro as donas de casa e os tiozinhos que gravam os vídeos com cachorro latindo, crianças gritando, mandando mil beijos e bençãos para os seguidores. E os chefs que traduzem a cozinha moderna para o nosso dia a dia. Não tenho paciência para os muito esnobes e cheios de si, gosto dos mais descabelados e pé no chão.

Frá Cozinheira

Passei a voltar a cozinhar mais em casa pois a grana ainda está curta e o delivery, – apesar de ser uma mão na roda quando a gente não tem forças nem para fritar um ovo -, acaba nos levando à falência. Descobri um prazer enorme em ver a química dos alimentos acontecer na minha frente. A pectina resultar em geléia, a nata virar manteiga, o fermento fazer a massa crescer.

Sempre soube cozinhar o básico gostosinho, mas nesse último ano aprendi truques que elevam o patamar, como as camadas de sabores, combinar texturas, reaproveitar sobras e cascas, testar diferentes temperos e aromas. Me arrisquei na culinária de outros países, busquei mais sabor na comida vegetariana. Só estou apanhando ainda com as massas e os pães. Mas não desisto, volta e meia faço novas tentativas. E é isso, é tentativa e erro. Tentativa e erro. Assim como a vida.

Dificilmente vou fazer disso uma profissão. Mas não vejo a hora de poder receber os amigos em casa em volta de uma mesa. Voltei a ter esperança no futuro.

* Na foto, doce de casca de maracujá que peguei de várias receitas no YouTube e dei um toque de pimenta rosa.

Doce de casca de maracujá
Manteiga caseira
Bolo de Natal

No meu Instagram @flaviadurante posto as comidinhas que tenho feito com a hashtag #comidinhasdafrá

Canais que acompanho:

Mohindi
Underchef
Isamara Amâncio
Eduardo Jacintho
Larica Vegana
Receitas de Pai
Culinária em Casa

PS: Esse novo hobby de forma alguma é um substituto para um tratamento, apenas um auxílio que encontrei. Se estiver com depressão ou ansiedade procure um psicólogo ou psiquiatra. Também faço acompanhamento com esses profissionais! Não é vergonha alguma!!!

Amy Winehouse: conheça os fotógrafos que melhor retrataram a cantora

Dia 23 de julho de 2011 foi com certeza um dos piores dias de minha vida, o dia da morte de Amy Winehouse. Lembro exatamente do momento em que o Hector me comunicou. Eu estava acordando, ele já havia acordado e visto a notícia e me fez sentar de novo na cama: “Flávia…”. Me deu um arrepio pela espinha inteira e já imaginava que seria algo com a Amy.

Meu mundo desabou na hora. Como disse no texto que escrevi pro G1 na ocasião, “Pode parecer futilidade sofrer tanto com a morte de alguém que nem sabia de nossa existência, mas como a nossa religião é a música, nos sentimos ligados a esses artistas como se fossemos irmãos de alma. Com seu talento e sensibilidade eles passam a fazer parte de nossas vidas, como alguém muito íntimo que fala conosco através de sua música. E a dor pela sua perda é real, chega a ser física.” E foi mesmo! A dor até fica enterrada, mas não passa.

Vendo o show de Amy do palco, depois de discotecar no Summer Soul Festival em SP. Nem tentei chegar mais perto ou tietar, pra mim era como se fosse uma semideusa

Por mais que para todo mundo fosse óbvio que isso fosse acontecer, para quem era fã sempre havia a esperança de sua recuperação completa. Outra coisa que pouco se discute foi o papel dos transtornos alimentares em sua morte. Leiam esse artigo na Pitchfork: “We Need to Talk About Amy Winehouse’s Eating Disorder and Its Role In Her Death”. Como disse seu próprio irmão Alex, “anos de bulimia deixaram Amy mais fraca e mais suscetível ao impacto físico de seus vícios em álcool e drogas.

A carreira de Amy foi curta mas seu legado foi intenso. Sem Amy não haveria a volta de cantoras-compositoras “esquisitas” ou fora do padrão como Lady Gaga, Florence Welch, Lana Del Rey, Janelle Monáe e Adele, entre tantas que surgiram nos anos 2000. Amy resgatou a importância do talento, voz e sensibilidade acima de uma imagem perfeitinha e de plástico como a das artistas dos anos 90. Palavras da própria Adele: “Amy abriu o caminho para artistas como eu e deixou as pessoas empolgadas com a música britânica novamente. Eu acho que ela nunca percebeu o quão brilhante ela era e o quão importante ela é.” Mas nós percebemos, Adele! <3

Pra gente sempre se lembrar da imagem de Amy de uma forma positiva, vou listar aqui alguns fotógrafos que registraram imagens memoráveis de nossa querida menina de Camden Town.

Mischa Richter – Instagram @mischarichter

Autor da icônica capa do segundo álbum de Amy, “Back to Black”, de 2006. Foi uma das poucas vezes que o fotógrafo inglês retratou músicos e fez logo a capa de um dos álbuns mais importantes do século XXI. Depois dessa sessão de fotos para a capa ele nunca mais a viu novamente.

@mischarichter

Charles Moriarty – Instagram @charlesmoriarty

Moriarty fez a capa do primeiro álbum de Amy”, Frank”, de 2003. Amigo pessoal da cantora, o irlandês é também autor de dois livros de fotografia de Amy, “Before Frank” e “Back to Amy”. “Quero que ela seja lembrada como a garota divertida que conheci. Ela era intensa, talentosa e muito viva. Quero que as pessoas compartilhem dessa minha visão”, disse Charles para a revista People.

@charlesmoriarty

Karen Robinson – www.karenrobinson.co.uk

Em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, a fotógrafa Karen Robinson fotografou Amy três vezes para o Observer Music Monthly e produziu imagens esplendorosas. Veja todas aqui.

Bryan Adams – Instagram: @bryanadams

Sim, o cantor canadense famoso nos anos 80 pelo hit “Heaven” é também um excelente fotógrafo. Ele produziu imagens memoráveis de Amy na era “Back to Black”.

@bryanadams

Dean Chalkley – Instagram @deanchalkley_/

Fotojornalista autor de capas de revistas e jornais, Chalkey acompanhou o auge da carreira de Amy na mídia, como esta abaixo, que foi capa da NME.

@deanchalkley_

Tom Oxley – @tomoxleyphoto

Fotógrafo de música que acompanhou inúmeros shows de Amy e registrou também seus bastidores.

@tomoxleyphoto

Andy Willsher – @andy_willsher

Willsher foi um dos maiores fotógrafos da NME e é dele esse retrato de Amy no festival da Ilha de Wight, em 2007.

Nesses anos tempetuosos em que ela passou jamais compartilhei uma foto dela bêbada, drogada, tropeçando ou sofrendo. Embora isso tenha sim feito parte de sua vida quem produziu ou compartilhou imagens dela dessa forma de uma maneira julgadora ou sensacionalista teve sim um dedo em seu sofrimento. É assim que devemos lembrar de Amy Winehouse: sorridente, talentosa, encantadora e espirituosa. Descanse em paz, Amy Jade Mermaid.

Vem aí mais um Curso Online de Consultoria de Moda Plus Size com Manu Carvalho e Flávia Durante

Vem aí mais uma turma do Curso Online de Consultoria de Moda Plus Size que ministrarei ao lado da top stylist Manu Carvalho – Cursos de moda e estilo. A PRÓXIMA TURMA é nos dias 22 e 23 de agosto, sábado e domingo.

Acrescento minha expertise de 10 anos no mercado plus size brasileiro ao curso da Manu Carvalho, uma super profissional da moda que que atende celebridades como Carolina Dieckmann, Taís Araújo e Alessandra Negrini.  Manu também é editora e consultora de moda, stylist, figurinista de novelas e consultora de artistas e marcas. Teve sua formação em Nova York na Escola Parsons. Iniciou sua carreira na Casa Vogue, colaborou para Vogue Homem, Vogue Passarelas e Vogue Noivas como repórter e editora, e Revista Key, de Erika Palomino.

Eu, Flávia Durante, sou comunicadora, DJ e empresária. Fui editora de lifestyle do portal Virgula e editora dos sites da Trip e Tpm. Desde 2012 produzo o Pop Plus, feira de moda e cultura plus size, com média de público de 12.000 pessoas por evento. Ao longo destes 8 anos tenho desmistificado conceitos e conselhos que mulheres (e homens também) vêm ouvindo há décadas em relação à moda. É embaixadora do #ElaFazHistória, programa de empreendedorismo feminino do Facebook.

Aulas ao vivo via Google Meet

A carga horária é das 10h as 19h, em um total de 16 horas. As aulas são online via Google Meet, com direito a certificado. O CÓDIGO DE DESCONTO para minhas leitoras e seguidoras é DURANTE15. Para se inscrever ou tirar qualquer dúvida sobre pagamento, mande e-mail para contato@cursosmanumoda.com.br, falar com a Carla pelo Whatsapp.

O curso é indicado para consultoras de moda, stylists, lojistas, empreendedoras, estudantes, profissionais que já atuam na área e que queiram ampliar os seus horizontes na moda ou iniciar no mercado plus size.

Quem não puder fazer essa turma deixe seu contato nos comentários que avisaremos as próximas turmas. Ou sigam @cursosmanumoda no Instagram para acompanhar o calendário anual de cursos da Manu.

Estou muito feliz de ser professora do curso da Manu Carvalho, de quem já fui colega de trabalho na gravadora Trama, aluna, palestrante convidada e agora colaboradora em seus consagrados cursos de moda. Estou muito animada com mais essa nova etapa de minha carreira.

O Pote Amarelo

O pote amarelo

Não conheci minhas avós materna e paterna então a figura de vó que tive foi a Dona Ruth, avó do meu marido, Hector Lima, com quem convivi com muito amor de 1996 até ela falecer, em 2014.

Como mudamos pra São Paulo e ela permaneceu em Santos, esse pote velho – e mais 2 ou 3 que ainda permanecem em nosso armário da cozinha como lembrança -, sempre subia a serra recheados de coisas gostosas: bolo de chocolate, brigadeirão, cuzcuz paulista…

A Dona Ruth adorava cozinhar para o neto e para mim e não sossegava enquanto eu não falava “hmm, que delíciaaa”, aí sim ela ia sentar na sala e descansar. Embora ela também fosse muito boa de doces, eu sou mais dos salgados e adorava o cozido dela, o bife a milanesa, a salada de bacalhau com grão de bico, o macarrão com molho de tomate caseiro.

Festa de 80 anos da Dona Ruth, em 2009

Quando vejo esse pote amarelo velho lembro desses momentos e sinto saudade da vó Ruth e das delícias que ela fazia. Quando entro na cozinha pra fazer algo também lembro dela, da tia avó do Hector, da minha mãe e da minha tia e dos pratos e doces gostosos que todas já fizeram. E fico feliz quando acerto e quando meu marido gosta da comida. Quando erro também fico feliz por ter história pra contar e pra rir depois. E, principalmente, fico grata por ter comida na mesa em momentos tão difíceis como esse da pandemia.

Comida é alimento e cultura mas é também história, memória, afeto e sentimento. Não deixem jamais que façam da comida sua inimiga.

Merlí Sapere Aude tem cartaz e data de estreia; eu e Merlí em Barcelona

O esperado spin off da série “Merlí” já tem data de estreia: dia 5 de dezembro no canal espanhol por assinatura Movistar+. “Merlí Sapere Aude” é focado no personagem de Pol Rubio (Carlos Cuevas) e sua entrada na faculdade de Filosofia, inspirado no mestre Merlí Bergeron (Francesc Orella).

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“Merlí Sapere Aude” é a primeira produção em catalão da Movistar+, feita em parceria com a sua produtora original , a TV3 catalã. Uma espécie de “Malhação” com “Sociedade dos Poetas Mortos”, Merlí acabou conquistando toda a Espanha e a América Latina (a série tem fãs fervorosos na Argentina e no Chile). Héctor Lozano, criador da série original, está a frente do novo projeto e a direção ficou por conta de Menna Fité.

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A nova série mostrará o desejo de aprender de Pol, seu processo de amadurecimento com a universidade como cenário principal. Tudo girará ao redor do novo protagonista: sua família, seus novos amigos, novos professores, novos amores e, claro, Bruno. Nosso ship #Brunol não ficará de fora!

“Sapere aude” é um lema em latim que significa “atreva-se a conhecer” ou “ouse saber”

Update: saiu nesta quarta-feira o trailer oficial!

Eu estava em Barcelona bem na época da filmagem de “Merlí Sapere Aude”, em maio de 2019. Estalkeei e rodei tudo mas infelizmente não encontrei as gravações. Cheguei a visitar algumas das locações da série original, depois faço um post a parte.

Mas dei uma sorte danada de dar de cara com o Francesc Orella, ninguém menos do que o o próprio Merlí, quando eu estava passeando uma tarde pela Vila de Grácia, um bairro super culturete de Barcelona. Gelei pois não estava esperando mas pedi para tirar uma foto com ele, claro! Inacreditável, hahaha!

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Francesc Orella (Merlí himself) e euzinha

Ele estava indo para a pre-estreia do filme “Elisa Y Marcela” (Netflix), do qual ele fez parte, em um cinema de rua ali no bairro! Aí eu imaginei que outros atores da série poderiam estar lá, dei meia volta, disfarcei e fui atrás dele, como se não quisesse nada. rsrs Não deu outra, encontrei lá na porta o Ivan (Pau Poch) e o Bruno (David Solans), que foram uns amores! Falei que era do Brasil, etc e tal, que o povo de lá adorava a série, que estava visitando as locações da série e eles nem acreditaram, hahahaha!

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Pau Poch (Ivan), David Solans (Bruno) e euzinha

O Carlos Cuevas mesmo não encontrei. Quase trombei com ele no show do Jungle no Primavera Sound (stalkeeeer) mas não rolou, fica pra próxima… Motivos para voltar para Barcelona não faltam! <3

Agora é torcer para a Netflix Brasil estrear “Merlí Sapere Aude” não muito tarde por aqui! \o/

Leia mais sobre Merlí aqui.

Expo “Man Ray in Paris” traz obra de fotógrafo surrealista pela primeira vez ao Brasil

Perdi dezenas de exposições em São Paulo nos últimos anos por falta de tempo. Mas essa eu não poderia deixar de ir, já fui logo no primeiro dia pois o fotógrafo Man Ray é um de meus artistas favoritos!

A exposição “Man Ray in Paris” – que abriu ontem no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo e fica em cartaz até o dia 28/10 – destaca a trajetória do multiartista durante seu período de maior efervescência criativa, entre 1921 e 1940.

São 255 obras entre fotografias, objetos, serigrafias e filmes em uma mostra inédita no País, além de peças interativas e palestras (ontem rolou uma conversa com a curadora da expo, Emmanuelle de l’Ecotais). Totalmente imperdível!!!

Tenho um amor especial pela sua parceria com Kiki Montparnasse. ❤ Mas todo seu trabalho é maravilhoso, inovador, moderno até hoje. Só senti falta de catálogo e de souvenirs da expo na lojinha do museu.

Depois do CCBB SP, a mostra segue para a unidade de Belo Horizonte, entre 11 de dezembro e 17 de fevereiro de 2020.

Man Ray in Paris @ Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo – CCBB SP
Em cartaz até dia 28 de outubro de 2019
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo/SP
(Acesso ao calçadão pela estação São Bento do Metrô)
(11) 3113-3651/3652 | Todos os dias, das 9h às 21h, exceto às terças. Entrada gratuita.

MAN RAY | Vinheta SP from Raphael Lupo on Vimeo.

Essa semana participo de dois eventos de moda: Trama Afetiva e Senac Moda Informação

Tirando a poeira deste blog para avisar que essa semana participo de dois incríveis eventos que buscam repensar e ressignificar a moda!

21/08, quarta, 10h30 – Trama Afetiva 2019 @ Centro Cultural São Paulo – CCSP – Painel “Moda Como Ativismo”, com Flávia Durante (Pop Plus), Vicente Perrota (Ateliê TRANSmoras), Flavia Aranha, Pri Bertucci ([SSEX BBOX]), Carol Gavazzi (Matilda.My), Regina Ferreira (Hutu Casting), com mediação de Karlla Girotto.

22/08, quinta, 10h – Senac Moda Informação 2019 @ Senac Lapa Faustolo – Palestra “Pluralidade de corpos – Produtos e Vendas Plus Size”. O case de sucesso da feira Pop Plus.

Estou disponível para debates e palestras em sua empresa ou instituição. Fale com a Tambor!

Festivais culturais em São Paulo aproximam Brasil da latinidade esquecida

É muito comum o brasileiro se identificar com orgulho como descendente de europeus mesmo com o tatataravô que ele nunca conheceu nascido na Europa e ignorar que é latino. Felizmente  nos últimos anos, a cultura e a gastronomia dos países hermanos tem ajudado muitos brasileiros a se aproximarem da latinidade perdida. E quatro festivais em São Paulo nas próximas semanas celebrarão a cultura latina com uma programação diversa e incrível, o festival Conexão Latina, o MICBR, o Sim, Somos Latinos! e o Festival Mucho!

Nessa sexta acontece a primeira edição do festival Conexão Latina!, evento que vai reunir música, gastronomia e educação em três dias de atividades gratuitas em São Paulo de 9 a 11 de novembro. No dia 9 de novembro, sexta-feira, acontece a Jam Eletroacústica, no Lab Mundo Pensante. Ali, todos os músicos que se apresentarão no festival se revezarão em esquema “palco aberto”, tocando juntos de maneira improvisada. Também acontece uma oficina de composição de canções, no mesmo local. O dia 10 de novembro, sábado, traz o formato de “Fiesta Latina”, com shows nacionais e internacionais no Mundo Pensante. Compõem o line-up o argentino Edu Schmidt, o uruguaio Nicolás Molina e a chilena Renata Espoz, além dos brasileiros Yangos (RS), Lila May (SP) e Gabriela Pensanuvem (SP). Já no dia 11, domingo, o festival se encerra na Casa Japuanga, com a Jam Gastronomusical conduzida por Edu Schmidt. Além de músico, o argentino é chef de cozinha, e improvisará com comida e canções de sua autoria para os presentes, com a possibilidade de interagirem com o músico tanto na parte cancioneira como na culinária.

Mais informações do Conexão Latina você pode ver no site ou no evento no Facebook.

O festival já está em andamento mas até o dia 11 de novembro ainda dá pra pegar várias atrações musicais gratuitas no evento MICBR (Mercado das Indústrias Criativas do Brasil) na região da Avenida Paulista. Tem shows da Mariene de Castro, dos colombianos Jóvenes Creadores del Chocó, do grupo argentino Nación Ekeko, da banda brasiliense Nunchako e dos artistas do selo colombiano Sello Indio, especializado em beats e hip hop. O evento conta também com vários debates e workshops sobre cultura, empreendedorismo, moda e gastronomia.

Veja a programação completa do MICBR no site oficial.

Até o final do mês de novembro, a programação do Sesc Itaquera é dedicada a cultura latino-americana! Dança, música, teatro, literatura e circo para lembrarmos que: Sim, Somos Latinos! Veja a programação, que é inteiramente gratuita!

. até 25/11 (domingos), 13h30 – Literatura – Mediação de Leitura: Literatura Latino-Americana
http://bit.ly/mediacaoliteratura
. 10/11 (sábado), 15h – Literatura – Sarau #sinfronteras
http://bit.ly/sarausin
. 11/11 (domingo), 13h – Circo – Flamingos De Fuego
http://bit.ly/circo_flamingos
. 17/11 (sábado), 15h30 – Dança – Tangos Brasileiros
http://bit.ly/tangos_brasileiros
. 18/11 (domingo), 15h30 – Música – Taracón
http://bit.ly/taracon
. 18/11 (domingo), 13h – Música – Kantuta Bolívia
http://bit.ly/Kantuta_bolivia
. 22, 23 e 25/11 (quinta, sexta e domingo) – Circo – Kinematos
http://bit.ly/kinematos-circo
. 24/11 (sábado), 16h – Teatro – Caminos Invisibles… La Partida
http://bit.ly/caminos_teatro
. 25/11 (domingo), 15h30- Música – Santa Mala
http://bit.ly/santamala_musica
. 25/11 (domingo), 14h – Alimentação – Sabores da Venezuela
http://bit.ly/saboresvenezuela

Veja a programação completa no site do Sesc ou no evento.

E em dezembro acontece a segunda edição do Festival Mucho, que propõe romper as barreiras do estereótipo latino, do folclore e das fronteiras trazendo um evento com representantes da América Latina que vem se destacando nos principais festivais em todo o mundo. Os ingressos custam de 40 a 150 reais, estão à venda pelo Ingresse.com e suas atrações confirmadas até agora são:

✓ Miss Bolivia – Argentina 🇦🇷
✓ Cumbia All Stars – Peru 🇵🇪
✓ La Madre del Borrego – Argentina 🇦🇷
✓ Santa Mala – Bolívia 🇧🇴
✓ Los Espiritus – Argentina 🇦🇷
✓ Tuyo – Brasil 🇧🇷
✓ Baleia – Brasil 🇧🇷

Mais informações no evento ou no site.

Aretha Franklin e o começo do estrelato com “I never loved a man (the way I love you)”

Minha música favorita de Aretha Franklin é “I never loved a man (the way I love you)”, faixa-título de seu primeiro álbum pela Atlantic Records e um dos melhores discos da história! Lançado em 1967, foi o disco que a levou ao estrelato e a tornou a Rainha do Soul aos 25 anos de idade.

Lembro exatamente da primeira vez em que ouvi essa música. Foi em uma rádio no walkman em um busão em São Paulo. Eu devia ter uns 21 anos e estava descobrindo a música soul, super djovem e inocente. *rs Imediatamente comecei a chorar de escorrer lágrima até o chão. Música tem dessas coisas!

Chora comigo aqui:

O disco “I never loved a man (the way I love you)” parece até coletânea, só tem HINO: “Respect”, “A change is gonna come”, “Do Right Woman, Do Right Man”… Sam Cooke, Otis Redding, produção de Jerry Wexler, só Aretha pra reunir um time desses!

A faixa-título foi gravada no lendário estúdio FAME na cidadezinha de Muscle Shoals, no Alabama, do produtor Rick Hall, que também faleceu esse ano. A gravação de “I never loved a man (the way I love you)”, a música, é considerada o turning point de sua carreira. Foi quando Aretha aperfeiçoou e encontrou o tom perfeito de seu groove e começaria a se tornar uma lenda da música.

Além de Aretha também gravaram nesse estúdio ninguém menos do que Etta James, Percy Sledge, Wilson Pickett e muitos outros artistas foda. Essa camaradagem toda entre cantores negros e músicos brancos em meio aos auge dos conflitos pelos direitos civis nos Estados Unidos causava muita treta dentro e fora do estúdio. A tensão racial deixava o clima das gravações a ponto de explodir. E a tradicional família norte-americana do Alabama não suportava ver aquela turma toda unida e trabalhando juntos e criando discos e singles que se tornariam ícones da música.

Aretha Franklin e os Swampers, banda do estúdio FAME

Tem um doc muito bacana sobre o estúdio FAME e o som que criaram nele. O filme foi exibido no In-Edit Brasil 2014. Aqui um trecho de entrevista com Aretha sobre o estúdio, na qual gravou “I never loved a man (the way I love you)”, a música. E depois nunca mais voltou…

O disco:

https://open.spotify.com/embed?uri=spotify%3Aalbum%3A5WndWfzGwCkHzAbQXVkg2V

#RIParethafranklin

“Simonal – O Filme” ganha primeiro trailer e concorre no Festival de Gramado

Depois de muita expectativa, finalmente foi divulgado o primeiro trailer de “Simonal – O Filme”, com Fabrício Boliveira no papel do cantor e Ísis Valverde como Tereza Pugliesi. A dupla volta a viver um casal depois de “Faroeste Caboclo” (2013). O longa é dirigido por Leonardo Domingues e se concentra na ascensão do artista, quando ele reunia multidões em seus shows, apresentou programas de TV e ganhou muito dinheiro ao se tornar garoto-propaganda da Shell. A produção musical é de Wilson Simoninha e de Max de Castro, filhos de Simonal e Tereza. Caco Ciocler, Silvio Guindane, Mariana Lima e Claudio Mendes também estão no elenco. Leandro Hassum interpreta o produtor musical Carlos Imperial e João Velho faz o papel de Miéle.

Íris e Fabrício

A história já havia sido contada em “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, o documentário musical mais visto de 2009, nas biografias “Nem Vem que Não Tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonal”, de Ricardo Alexandre (também de 2009), e “Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga: Simonal e os limites de uma memória tropical”, de Gustavo Alonso, lançada em 2007. A vida do cantor também foi transformada em dois musicais, “S’imbora, o musical” e “Show em Simonal”, ambos com o talentosíssimo Ícaro Silva no papel principal.

Simonal, O Filme

“Simonal – O Filme” será exibido pela primeira vez dia 20 de agosto no Festival de Cinema de Gramado, que acontece de 17 e 25 na cidade gaúcha, e participa da Mostra Competitiva. O filme é uma co-produção da Pontos de Fuga e Globo Filmes, com distribuição da Downtown/Paris Filmes e previsão de estreia nacional para 2019.

Veja o trailer:

Cartaz. Fonte: Adoro Cinema

Primeiro cartaz do filme

Estou bem animada pra estreia desse filme pois Simonal é meu cantor brasileiro favorito! Coordenei as ações de divulgação do documentário de 2009 nas redes sociais foi um dos trabalhos mais gratificantes de minha carreira como comunicadora. Wilson Simonal tem que ser lembrado e celebrado o tempo todo! <3

Meu TEDx já está no ar no YouTube do TEDx Talks!

Aqui neste post abriu meu coração e contei como foi minha preparação para o TEDx Laçador – Repense, em Porto Alegre, com toda a ansiedade pela qual passei.

Agora finalmente está no ar no YouTube o talk que apresentei dia 30 de junho. Falei sobre como a moda pode trazer dignidade, identidade e pertencimento e de como esse universo que eu antes considerava chato e fútil acabou me despertando para a realidade de outras mulheres gordas como eu. Fico duplamente feliz pois foi o primeiro TEDx do Brasil falando sobre moda plus size e sobre representatividade gorda! Uma conquista de todas nós! \o/

Aqui o texto completo! ;-) Lá na hora acabei improvisando e acrescentando algumas coisas então passei do tempo previsto. As imagens são algumas das que usei na apresentação na tela.

Flávia Durante @ TEDxLaçador

Olá, boa noite!

“Aqui não tem NADA do seu tamanho!”
“Oi, estranha que eu nunca vi na vida, nunca pensou em fazer uma bariátrica?”
“Tenho aqui um produtinho milagroso para você perder peso!”
“Você está a um ponto de um ataque cardíaco!”
“Você deveria ser processada!”
“Você merecia morrer!”

Essas são apenas algumas das “gentilezas” que pessoas gordas como eu escutam nas ruas ou leem o tempo todo na internet.

Em uma sociedade movida pela perfeição, o gordo é o último na fila da empatia. Pessoas gordas atraem preconceito e ódio até de grupos minorizados. A gente carrega estigmas independente de nossas personalidades individuais.

Somos vistos como doentes, incapazes e relaxados. Somos excluídos da moda e do mercado de trabalho, os médicos nos mandam emagrecer antes do “boa tarde” e nossa acessibilidade é restrita. Quem é gordo sabe bem do que estou falando, a gente pensa três vezes antes de sentar em qualquer cadeira ou de passar por uma catraca. O mundo não foi feito e nem pensado para nós.

Na mídia e na cultura pop só nos restam três papéis: o da gorda sexy, da amiga gorda virgem ou o do gordinho engraçado. E a nossa existência só é reconhecida se aceitarmos que somos doentes ou se quisermos emagrecer.

Foi um universo que eu rejeitava e achava superficial, a MODA, que marcou minha abertura para a defesa das ideias e da realidade de outras mulheres gordas como eu. E foi a minha identificação com a história de uma menina de 13 anos de idade que se tornou o momento definitivo de virada na minha carreira de jornalista para empreendedora social.

Em 2012 – para fazer uma renda extra no final do ano, como todo brasileiro – comecei a revender biquínis GG. Fui criada na praia e mesmo sem saber já inspirava minhas amigas com os modelos que eu usava. Fio dental, tomara que caia, sem pudor algum de exibir o meu corpo e de curtir cada momento do verão.

Depois que comecei a vender biquínis, tive a ideia de fazer um bazar. Até existiam roupas para gordos mas não existia moda! Até 10 anos atrás havia lojas com nomes pouco convidativos como A PORTA LARGA ou A GORDA ELEGANTE. Eram peças sem graça, de cores escuras ou em forma de saco de batata. Feitos para a mulher gorda esconder suas formas e mesmo sua existência.

“Não há boa autoestima que resista a décadas sendo maltratada e ignorada, quando o que você queria era somente se vestir e estar inserida nas tendências da moda.”

Eu tinha três opções de consumo: o departamento de gestantes, – sendo que nunca tive filhos -; a seção masculina, – sendo que não sou homem -, e as lojas de senhoras, – sendo que mesmo hoje aos 41 anos estou bem longe de me sentir uma. Não há boa autoestima que resista a décadas sendo maltratada e ignorada, quando o que você queria era somente se vestir e estar inserida nas tendências da moda.

Logo de cara meu bazar foi um sucesso e cresceu sem parar! Entendi que não era de Moda que eu não gostava e sim de não me sentir nem incluída e nem representada. Mas até aí eu levava esse bazar como apenas mais uma de minhas atividades como jornalista, DJ e produtora.

Foi só por volta de 2014 que tive o grande estalo! E vi como esse evento estava se tornando muito mais do que um centro de compras…

Foi uma cena corriqueira, algo que poderia ser bem simples: uma adolescente de 13 anos experimentando uma roupa. De repente vejo uma movimentação no bazar e vejo que ela estava com os olhos cheio de lágrimas. Não apenas por ter encontrado um vestido que finalmente lhe cabia, mas também um ambiente de empatia e acolhimento que ela nunca havia experimentado antes. E aí tive certeza do absurdo que era submeter gente tão jovem à pressão estética tão cedo.

Crédito: Robson Leandro da Silva

Olhei aquela cena e me caiu uma ficha! Não é possível que algo tão simples se torne um martírio por conta dos padrões que alguém – QUEM? criou. Me identifiquei imediatamente com ela e lembrei de todas as vezes que ia embora para casa triste e frustrada depois de entrar em dezenas de lojas. Mesmo sabendo que eu não estava errada por ser “diferente”. E que o mercado de moda é que DEVERIA oferecer opções PARA TODOS.

A partir dessa cena, esse trabalho se tornou uma missão muito séria para mim. Decidi que mulheres e homens gordos seriam meu foco e que eu trabalharia para ajudar de alguma forma para que eles se vissem e fossem vistos como mais do que consumidores, mas também como possíveis influenciadores, novos fashionistas mas, acima de tudo, como gente merecedora de respeito.

“A moda é uma forma de expressão que fala sobre quem somos, o que pretendemos ser e como queremos ser percebidos.”

E foi a moda que me despertou para a questão da gordofobia, da representatividade e da visibilidade das pessoas gordas. Pois moda é muito mais do que estar em dia com as tendências das passarelas. Moda é identidade, e o acesso a moda nos traz um sensação de pertencimento e nos dá dignidade. A moda é uma forma de expressão que fala sobre quem somos, o que pretendemos ser e como queremos ser percebidos.

Porém, para o mundo da moda, magreza sempre foi sinônimo de elegância e pessoas gordas, sinônimo de desleixo e cafonice. E poucos dessa indústria já enxergaram esse público. No Brasil, somente 17% do varejo de moda atende o segmento, sendo que quase 60% dos brasileiros vestem plus size.

Somos medidos por um índice criado em 1832, o IMC, o Índice de Massa Corporal, inventado pelo matemático e estatístico belga Adolphe Quetelet. Esse índice foi encomendado pelo governo francês em plena Revolução Industrial para criar um padrão mínimo de peso que um trabalhador deveria ter para retornar à fábrica todos os dias, para produzir força de trabalho.

Aí a gente tem parte da explicação da origem do ódio por pessoas gordas. A magreza é cultuada não só pela estética e por questões morais, mas também por pressão dos modelos econômicos.
Ou seja, um corpo francês do século 19 se tornou o padrão universal que mede até hoje os corpos de todas as pessoas. Nossa vida, saúde e competência são pautados por uma fórmula do século retrasado! Com tudo o que o mundo evoluiu nas últimas décadas, isso não me parece justo.

E se a gente não questiona a Medicina, por exemplo, a homossexualidade até hoje estaria no Código Internacional de Doenças.

Se houvesse mesmo preocupação com a saúde do gordo, por que não equipar hospitais com os aparelhos adequados e exigir dos médicos um atendimento humanizado? Se uma pessoa com mais de 120 quilos precisar de ressonância magnética vai ter que fazer em uma hípica ou hospital veterinário. “Gorda desse jeito seu marido não vai querer fazer filho em você”, foi o que uma amiga ouviu em um consultório. Somos patologizados e desumanizados o tempo todo.

De forma alguma estou fazendo “apologia à obesidade”. Estou simplesmente defendendo a liberdade individual das diferenças. Para que todas as pessoas sejam tratadas da mesma forma e possam conviver dignamente em sociedade.

A demanda pela moda plus size é tão reprimida aqui no Brasil que esse pequeno bazar que criei em 2012 para que cada vez mais mulheres perdessem o medo de usar um biquíni na praia -, virou o Pop Plus, uma grande feira que atrai uma média de público de 12 mil pessoas e 70 marcas por edição.

E a cada feira ouço várias histórias de “primeiras vezes”. E me emociono até hoje, quase seis anos depois. A primeira vez que uma mulher gorda de 30, 40, 50 anos se permitiu comprar um biquíni, uma blusinha de alça ou uma vestido curto. São inúmeras histórias de redescoberta do amor próprio. A gente mostra a todo momento para essas mulheres que elas não estão sozinhas no mundo. O nosso fotógrafo lembra bem do início do evento. Se antes se escondiam da câmera, hoje pulam na frente dele pedindo para serem retratadas.

Crédito: Robson Leandro da Silva

Mas mesmo com esse crescimento, se eu precisar de um vestido maravilhoso para usar HOJE não posso simplesmente entrar em qualquer shopping center e escolher o que quero. Para quem veste acima do 54 então fica ainda mais difícil.

Hoje até sou uma pessoa que pode escolher e que não precisa mais recorrer apenas a roupas para senhoras, homens ou grávidas. Agora me olho no espelho e me sinto satisfeita com o que vejo e como me visto. Mas há mulheres e homens pelo Brasil que ainda não conseguem nem o básico. Precisamos popularizar ainda mais o acesso a moda plus size para todos os bolsos e tamanhos.

A gente vive uma era na qual os profissionais estão repensando a moda em termos de sustentabilidade, de consumo consciente e de gênero. Só que é preciso também incluir pessoas de diferentes tipos de corpos, tamanhos e necessidades. E não só como potenciais consumidores e modelos, mas também como possíveis gestores e criadores de uma nova mentalidade com inclusão real. Que não fique só no discurso e no marketing vazio.

“Minha luta, na verdade, não é sobre moda e nem sobre autoestima e sim sobre respeito, autonomia e liberdade. Não tem melhor coisa do que exercitar a liberdade de ser quem a gente é.”

Revisitando minha trajetória para construir essa palestra percebi que a minha luta, na verdade, não é sobre moda e nem sobre autoestima e sim sobre respeito, autonomia e liberdade. Não tem melhor coisa do que exercitar a liberdade de ser quem a gente é.

Crédito: Robson Leandro da Silva

A minha vontade não é criar um novo padrão de beleza e sim quebrar todos os padrões. Até porque beleza nem é a principal causa de minha luta. Quero mostrar que ser gordo é normal e que não é a pior coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa. Para a mulher não achar que sua vida acabou se ela engordar. Que ela não se entupa de remédios que só destroem sua saúde mental e emocional. Que não mutile o seu corpo. Que não chore ao sair de uma loja. Que não deixe de viver sua vida. Porque a vida pode dar mesmo o maior praião quando a gente convive com as diferenças e aprende a se amar.

E que a gente jamais perca um dia de sol lá fora.

Obrigada.

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Todos os TEDxLaçador podem ser vistos no canal do TEDx Talks. 

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Agradecimentos:

Ana Goelzer e toda equipe do TEDxLaçador; todos os queridos colegas palestrantes do TEDxLaçador, que já viraram amigos; Fernanda Danelon, pela indicação para o elenco de palestrantes; Fabio Rex e Vitor Bastos (Tambor), por acreditarem em meu potencial; minha preparadora vocal, Joana Duah, por lapidar o meu potencial; Célia Mello, minha psicóloga querida; Robson Leandro da Silva, por registrar esses incríveis momentos do Pop Plus; Mariane Maure, pela montagem das manchetes; Camila de Lira, pela revisão do texto; Arlise Cardoso e a todas as amigas de Porto Alegre, pelo apoio e receptividade; Luciana Martinez, pelo apoio, amor e o look lindo da Allure Plus Size; Rita de Cássia Zarpellon, Vanessa Joda, Vivi Schwäger, Kalli Fonseca, Rack Land, pela autorização do uso de imagem; Caroline Souza Calazans, pela autorização do uso de imagem e por ter sido a responsável por esse grande estalo na transição de minha carreira; a todos os parceiros, amigos, clientes e colaboradores do Pop Plus; Hector Lima, meu marido, pelo seu amor, companhia, respeito e compreensão.