9 anos sem Amy Winehouse: conheça os fotógrafos que melhor retrataram a cantora

Dia 23 de julho de 2011 foi com certeza um dos piores dias de minha vida, o dia da morte de Amy Winehouse. Lembro exatamente do momento em que o Hector me comunicou. Eu estava acordando, ele já havia acordado e visto a notícia e me fez sentar de novo na cama: “Flávia…”. Me deu um arrepio pela espinha inteira e já imaginava que seria algo com a Amy.

Meu mundo desabou na hora, cheguei a chorar de quase desmaiar e me dar uns tapas na cabeça, como se fosse pra acordar daquele pesadelo. Como disse no texto que escrevi pro G1 na ocasião, “Pode parecer futilidade sofrer tanto com a morte de alguém que nem sabia de nossa existência, mas como a nossa religião é a música, nos sentimos ligados a esses artistas como se fossemos irmãos de alma. Com seu talento e sensibilidade eles passam a fazer parte de nossas vidas, como alguém muito íntimo que fala conosco através de sua música. E a dor pela sua perda é real, chega a ser física.” E foi mesmo! A dor até fica enterrada, mas não passa.

Vendo o show de Amy do palco, depois de discotecar no Summer Soul Festival em SP. Nem tentei chegar mais perto ou tietar, pra mim era como se fosse uma semideusa

Por mais que para todo mundo fosse óbvio que isso fosse acontecer, para quem era fã sempre havia a esperança de sua recuperação completa. Outra coisa que pouco se discute foi o papel dos transtornos alimentares em sua morte. Leiam esse artigo na Pitchfork: “We Need to Talk About Amy Winehouse’s Eating Disorder and Its Role In Her Death”. Como disse seu próprio irmão Alex, “anos de bulimia deixaram Amy mais fraca e mais suscetível ao impacto físico de seus vícios em álcool e drogas.

A carreira de Amy foi curta mas seu legado foi intenso. Sem Amy não haveria a volta de cantoras-compositoras “esquisitas” ou fora do padrão como Lady Gaga, Florence Welch, Lana Del Rey, Janelle Monáe e Adele, entre tantas que surgiram nos anos 2000. Amy resgatou a importância do talento, voz e sensibilidade acima de uma imagem perfeitinha e de plástico como a das artistas dos anos 90. Palavras da própria Adele: “Amy abriu o caminho para artistas como eu e deixou as pessoas empolgadas com a música britânica novamente. Eu acho que ela nunca percebeu o quão brilhante ela era e o quão importante ela é.” Mas nós percebemos, Adele! <3

Pra gente sempre se lembrar da imagem de Amy de uma forma positiva, vou listar aqui alguns fotógrafos que registraram imagens memoráveis de nossa querida menina de Camden Town.

Mischa Richter – Instagram @mischarichter

Autor da icônica capa do segundo álbum de Amy, “Back to Black”, de 2006. Foi uma das poucas vezes que o fotógrafo inglês retratou músicos e fez logo a capa de um dos álbuns mais importantes do século XXI. Depois dessa sessão de fotos para a capa ele nunca mais a viu novamente.

@mischarichter

Charles Moriarty – Instagram @charlesmoriarty

Moriarty fez a capa do primeiro álbum de Amy”, Frank”, de 2003. Amigo pessoal da cantora, o irlandês é também autor de dois livros de fotografia de Amy, “Before Frank” e “Back to Amy”. “Quero que ela seja lembrada como a garota divertida que conheci. Ela era intensa, talentosa e muito viva. Quero que as pessoas compartilhem dessa minha visão”, disse Charles para a revista People.

@charlesmoriarty

Karen Robinson – www.karenrobinson.co.uk

Em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, a fotógrafa Karen Robinson fotografou Amy três vezes para o Observer Music Monthly e produziu imagens esplendorosas. Veja todas aqui.

Bryan Adams – Instagram: @bryanadams

Sim, o cantor canadense famoso nos anos 80 pelo hit “Heaven” é também um excelente fotógrafo. Ele produziu imagens memoráveis de Amy na era “Back to Black”.

@bryanadams

Dean Chalkley – Instagram @deanchalkley_/

Fotojornalista autor de capas de revistas e jornais, Chalkey acompanhou o auge da carreira de Amy na mídia, como esta abaixo, que foi capa da NME.

@deanchalkley_

Tom Oxley – @tomoxleyphoto

Fotógrafo de música que acompanhou inúmeros shows de Amy e registrou também seus bastidores.

@tomoxleyphoto

Andy Willsher – @andy_willsher

Willsher foi um dos maiores fotógrafos da NME e é dele esse retrato de Amy no festival da Ilha de Wight, em 2007.

Nesses anos tempetuosos em que ela passou jamais compartilhei uma foto dela bêbada, drogada, tropeçando ou sofrendo. Embora isso tenha sim feito parte de sua vida quem produziu ou compartilhou imagens dela dessa forma de uma maneira julgadora ou sensacionalista teve sim um dedo em seu sofrimento. É assim que devemos lembrar de Amy Winehouse: sorridente, talentosa, encantadora e espirituosa. Descanse em paz, Amy Jade Mermaid.

Vem aí mais um Curso Online de Consultoria de Moda Plus Size com Manu Carvalho e Flávia Durante

Vem aí mais uma turma do Curso Online de Consultoria de Moda Plus Size que ministrarei ao lado da top stylist Manu Carvalho – Cursos de moda e estilo. A PRÓXIMA TURMA é nos dias 28 e 29/07, terça e quarta-feira. Acrescento minha expertise de 10 anos no mercado plus size brasileiro ao curso da Manu, uma super profissional da moda que que atende celebridades como Carolina Dieckmann, Taís Araújo e Alessandra Negrini.

Aulas ao vivo via Google Meet

A carga horária é das 10h as 19h, em um total de 16 horas. As aulas são online via Google Meet, com direito a certificado. O CÓDIGO DE DESCONTO para minhas leitoras e seguidoras é durante15. Para se inscrever ou tirar qualquer dúvida sobre pagamento, mande e-mail para contato@cursosmanumoda.com.br, falar com a Carla.

O curso é indicado para consultoras de moda, stylists, lojistas, empreendedoras, estudantes, profissionais que já atuam na área e que queiram ampliar os seus horizontes na moda ou iniciar no mercado plus size.

Quem não puder fazer essa turma deixe seu contato nos comentários que avisaremos as próximas turmas. Ou sigam @cursosmanumoda no Instagram para acompanhar o calendário anual de cursos da Manu.

Estou muito feliz de ser professora do curso da Manu Carvalho, de quem já fui colega de trabalho na gravadora Trama, aluna, palestrante convidada e agora colaboradora em seus consagrados cursos de moda. Estou muito animada com mais essa nova etapa de minha carreira.

O Pote Amarelo

O pote amarelo

Não conheci minhas avós materna e paterna então a figura de vó que tive foi a Dona Ruth, avó do meu marido, Hector Lima, com quem convivi com muito amor de 1996 até ela falecer, em 2014.

Como mudamos pra São Paulo e ela permaneceu em Santos, esse pote velho – e mais 2 ou 3 que ainda permanecem em nosso armário da cozinha como lembrança -, sempre subia a serra recheados de coisas gostosas: bolo de chocolate, brigadeirão, cuzcuz paulista…

A Dona Ruth adorava cozinhar para o neto e para mim e não sossegava enquanto eu não falava “hmm, que delíciaaa”, aí sim ela ia sentar na sala e descansar. Embora ela também fosse muito boa de doces, eu sou mais dos salgados e adorava o cozido dela, o bife a milanesa, a salada de bacalhau com grão de bico, o macarrão com molho de tomate caseiro.

Festa de 80 anos da Dona Ruth, em 2009

Quando vejo esse pote amarelo velho lembro desses momentos e sinto saudade da vó Ruth e das delícias que ela fazia. Quando entro na cozinha pra fazer algo também lembro dela, da tia avó do Hector, da minha mãe e da minha tia e dos pratos e doces gostosos que todas já fizeram. E fico feliz quando acerto e quando meu marido gosta da comida. Quando erro também fico feliz por ter história pra contar e pra rir depois. E, principalmente, fico grata por ter comida na mesa em momentos tão difíceis como esse da pandemia.

Comida é alimento e cultura mas é também história, memória, afeto e sentimento. Não deixem jamais que façam da comida sua inimiga.

Merlí Sapere Aude tem cartaz e data de estreia; eu e Merlí em Barcelona

O esperado spin off da série “Merlí” já tem data de estreia: dia 5 de dezembro no canal espanhol por assinatura Movistar+. “Merlí Sapere Aude” é focado no personagem de Pol Rubio (Carlos Cuevas) e sua entrada na faculdade de Filosofia, inspirado no mestre Merlí Bergeron (Francesc Orella).

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“Merlí Sapere Aude” é a primeira produção em catalão da Movistar+, feita em parceria com a sua produtora original , a TV3 catalã. Uma espécie de “Malhação” com “Sociedade dos Poetas Mortos”, Merlí acabou conquistando toda a Espanha e a América Latina (a série tem fãs fervorosos na Argentina e no Chile). Héctor Lozano, criador da série original, está a frente do novo projeto e a direção ficou por conta de Menna Fité.

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A nova série mostrará o desejo de aprender de Pol, seu processo de amadurecimento com a universidade como cenário principal. Tudo girará ao redor do novo protagonista: sua família, seus novos amigos, novos professores, novos amores e, claro, Bruno. Nosso ship #Brunol não ficará de fora!

“Sapere aude” é um lema em latim que significa “atreva-se a conhecer” ou “ouse saber”

Update: saiu nesta quarta-feira o trailer oficial!

Eu estava em Barcelona bem na época da filmagem de “Merlí Sapere Aude”, em maio de 2019. Estalkeei e rodei tudo mas infelizmente não encontrei as gravações. Cheguei a visitar algumas das locações da série original, depois faço um post a parte.

Mas dei uma sorte danada de dar de cara com o Francesc Orella, ninguém menos do que o o próprio Merlí, quando eu estava passeando uma tarde pela Vila de Grácia, um bairro super culturete de Barcelona. Gelei pois não estava esperando mas pedi para tirar uma foto com ele, claro! Inacreditável, hahaha!

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Francesc Orella (Merlí himself) e euzinha

Ele estava indo para a pre-estreia do filme “Elisa Y Marcela” (Netflix), do qual ele fez parte, em um cinema de rua ali no bairro! Aí eu imaginei que outros atores da série poderiam estar lá, dei meia volta, disfarcei e fui atrás dele, como se não quisesse nada. rsrs Não deu outra, encontrei lá na porta o Ivan (Pau Poch) e o Bruno (David Solans), que foram uns amores! Falei que era do Brasil, etc e tal, que o povo de lá adorava a série, que estava visitando as locações da série e eles nem acreditaram, hahahaha!

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Pau Poch (Ivan), David Solans (Bruno) e euzinha

O Carlos Cuevas mesmo não encontrei. Quase trombei com ele no show do Jungle no Primavera Sound (stalkeeeer) mas não rolou, fica pra próxima… Motivos para voltar para Barcelona não faltam! <3

Agora é torcer para a Netflix Brasil estrear “Merlí Sapere Aude” não muito tarde por aqui! \o/

Leia mais sobre Merlí aqui.

Expo “Man Ray in Paris” traz obra de fotógrafo surrealista pela primeira vez ao Brasil

Perdi dezenas de exposições em São Paulo nos últimos anos por falta de tempo. Mas essa eu não poderia deixar de ir, já fui logo no primeiro dia pois o fotógrafo Man Ray é um de meus artistas favoritos!

A exposição “Man Ray in Paris” – que abriu ontem no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo e fica em cartaz até o dia 28/10 – destaca a trajetória do multiartista durante seu período de maior efervescência criativa, entre 1921 e 1940.

São 255 obras entre fotografias, objetos, serigrafias e filmes em uma mostra inédita no País, além de peças interativas e palestras (ontem rolou uma conversa com a curadora da expo, Emmanuelle de l’Ecotais). Totalmente imperdível!!!

Tenho um amor especial pela sua parceria com Kiki Montparnasse. ❤ Mas todo seu trabalho é maravilhoso, inovador, moderno até hoje. Só senti falta de catálogo e de souvenirs da expo na lojinha do museu.

Depois do CCBB SP, a mostra segue para a unidade de Belo Horizonte, entre 11 de dezembro e 17 de fevereiro de 2020.

Man Ray in Paris @ Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo – CCBB SP
Em cartaz até dia 28 de outubro de 2019
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo/SP
(Acesso ao calçadão pela estação São Bento do Metrô)
(11) 3113-3651/3652 | Todos os dias, das 9h às 21h, exceto às terças. Entrada gratuita.

MAN RAY | Vinheta SP from Raphael Lupo on Vimeo.

Essa semana participo de dois eventos de moda: Trama Afetiva e Senac Moda Informação

Tirando a poeira deste blog para avisar que essa semana participo de dois incríveis eventos que buscam repensar e ressignificar a moda!

21/08, quarta, 10h30 – Trama Afetiva 2019 @ Centro Cultural São Paulo – CCSP – Painel “Moda Como Ativismo”, com Flávia Durante (Pop Plus), Vicente Perrota (Ateliê TRANSmoras), Flavia Aranha, Pri Bertucci ([SSEX BBOX]), Carol Gavazzi (Matilda.My), Regina Ferreira (Hutu Casting), com mediação de Karlla Girotto.

22/08, quinta, 10h – Senac Moda Informação 2019 @ Senac Lapa Faustolo – Palestra “Pluralidade de corpos – Produtos e Vendas Plus Size”. O case de sucesso da feira Pop Plus.

Estou disponível para debates e palestras em sua empresa ou instituição. Fale com a Tambor!

Festivais culturais em São Paulo aproximam Brasil da latinidade esquecida

É muito comum o brasileiro se identificar com orgulho como descendente de europeus mesmo com o tatataravô que ele nunca conheceu nascido na Europa e ignorar que é latino. Felizmente  nos últimos anos, a cultura e a gastronomia dos países hermanos tem ajudado muitos brasileiros a se aproximarem da latinidade perdida. E quatro festivais em São Paulo nas próximas semanas celebrarão a cultura latina com uma programação diversa e incrível, o festival Conexão Latina, o MICBR, o Sim, Somos Latinos! e o Festival Mucho!

Nessa sexta acontece a primeira edição do festival Conexão Latina!, evento que vai reunir música, gastronomia e educação em três dias de atividades gratuitas em São Paulo de 9 a 11 de novembro. No dia 9 de novembro, sexta-feira, acontece a Jam Eletroacústica, no Lab Mundo Pensante. Ali, todos os músicos que se apresentarão no festival se revezarão em esquema “palco aberto”, tocando juntos de maneira improvisada. Também acontece uma oficina de composição de canções, no mesmo local. O dia 10 de novembro, sábado, traz o formato de “Fiesta Latina”, com shows nacionais e internacionais no Mundo Pensante. Compõem o line-up o argentino Edu Schmidt, o uruguaio Nicolás Molina e a chilena Renata Espoz, além dos brasileiros Yangos (RS), Lila May (SP) e Gabriela Pensanuvem (SP). Já no dia 11, domingo, o festival se encerra na Casa Japuanga, com a Jam Gastronomusical conduzida por Edu Schmidt. Além de músico, o argentino é chef de cozinha, e improvisará com comida e canções de sua autoria para os presentes, com a possibilidade de interagirem com o músico tanto na parte cancioneira como na culinária.

Mais informações do Conexão Latina você pode ver no site ou no evento no Facebook.

O festival já está em andamento mas até o dia 11 de novembro ainda dá pra pegar várias atrações musicais gratuitas no evento MICBR (Mercado das Indústrias Criativas do Brasil) na região da Avenida Paulista. Tem shows da Mariene de Castro, dos colombianos Jóvenes Creadores del Chocó, do grupo argentino Nación Ekeko, da banda brasiliense Nunchako e dos artistas do selo colombiano Sello Indio, especializado em beats e hip hop. O evento conta também com vários debates e workshops sobre cultura, empreendedorismo, moda e gastronomia.

Veja a programação completa do MICBR no site oficial.

Até o final do mês de novembro, a programação do Sesc Itaquera é dedicada a cultura latino-americana! Dança, música, teatro, literatura e circo para lembrarmos que: Sim, Somos Latinos! Veja a programação, que é inteiramente gratuita!

. até 25/11 (domingos), 13h30 – Literatura – Mediação de Leitura: Literatura Latino-Americana
http://bit.ly/mediacaoliteratura
. 10/11 (sábado), 15h – Literatura – Sarau #sinfronteras
http://bit.ly/sarausin
. 11/11 (domingo), 13h – Circo – Flamingos De Fuego
http://bit.ly/circo_flamingos
. 17/11 (sábado), 15h30 – Dança – Tangos Brasileiros
http://bit.ly/tangos_brasileiros
. 18/11 (domingo), 15h30 – Música – Taracón
http://bit.ly/taracon
. 18/11 (domingo), 13h – Música – Kantuta Bolívia
http://bit.ly/Kantuta_bolivia
. 22, 23 e 25/11 (quinta, sexta e domingo) – Circo – Kinematos
http://bit.ly/kinematos-circo
. 24/11 (sábado), 16h – Teatro – Caminos Invisibles… La Partida
http://bit.ly/caminos_teatro
. 25/11 (domingo), 15h30- Música – Santa Mala
http://bit.ly/santamala_musica
. 25/11 (domingo), 14h – Alimentação – Sabores da Venezuela
http://bit.ly/saboresvenezuela

Veja a programação completa no site do Sesc ou no evento.

E em dezembro acontece a segunda edição do Festival Mucho, que propõe romper as barreiras do estereótipo latino, do folclore e das fronteiras trazendo um evento com representantes da América Latina que vem se destacando nos principais festivais em todo o mundo. Os ingressos custam de 40 a 150 reais, estão à venda pelo Ingresse.com e suas atrações confirmadas até agora são:

✓ Miss Bolivia – Argentina 🇦🇷
✓ Cumbia All Stars – Peru 🇵🇪
✓ La Madre del Borrego – Argentina 🇦🇷
✓ Santa Mala – Bolívia 🇧🇴
✓ Los Espiritus – Argentina 🇦🇷
✓ Tuyo – Brasil 🇧🇷
✓ Baleia – Brasil 🇧🇷

Mais informações no evento ou no site.

Aretha Franklin e o começo do estrelato com “I never loved a man (the way I love you)”

Minha música favorita de Aretha Franklin é “I never loved a man (the way I love you)”, faixa-título de seu primeiro álbum pela Atlantic Records e um dos melhores discos da história! Lançado em 1967, foi o disco que a levou ao estrelato e a tornou a Rainha do Soul aos 25 anos de idade.

Lembro exatamente da primeira vez em que ouvi essa música. Foi em uma rádio no walkman em um busão em São Paulo. Eu devia ter uns 21 anos e estava descobrindo a música soul, super djovem e inocente. *rs Imediatamente comecei a chorar de escorrer lágrima até o chão. Música tem dessas coisas!

Chora comigo aqui:

O disco “I never loved a man (the way I love you)” parece até coletânea, só tem HINO: “Respect”, “A change is gonna come”, “Do Right Woman, Do Right Man”… Sam Cooke, Otis Redding, produção de Jerry Wexler, só Aretha pra reunir um time desses!

A faixa-título foi gravada no lendário estúdio FAME na cidadezinha de Muscle Shoals, no Alabama, do produtor Rick Hall, que também faleceu esse ano. A gravação de “I never loved a man (the way I love you)”, a música, é considerada o turning point de sua carreira. Foi quando Aretha aperfeiçoou e encontrou o tom perfeito de seu groove e começaria a se tornar uma lenda da música.

Além de Aretha também gravaram nesse estúdio ninguém menos do que Etta James, Percy Sledge, Wilson Pickett e muitos outros artistas foda. Essa camaradagem toda entre cantores negros e músicos brancos em meio aos auge dos conflitos pelos direitos civis nos Estados Unidos causava muita treta dentro e fora do estúdio. A tensão racial deixava o clima das gravações a ponto de explodir. E a tradicional família norte-americana do Alabama não suportava ver aquela turma toda unida e trabalhando juntos e criando discos e singles que se tornariam ícones da música.

Aretha Franklin e os Swampers, banda do estúdio FAME

Tem um doc muito bacana sobre o estúdio FAME e o som que criaram nele. O filme foi exibido no In-Edit Brasil 2014. Aqui um trecho de entrevista com Aretha sobre o estúdio, na qual gravou “I never loved a man (the way I love you)”, a música. E depois nunca mais voltou…

O disco:

https://open.spotify.com/embed?uri=spotify%3Aalbum%3A5WndWfzGwCkHzAbQXVkg2V

#RIParethafranklin

“Simonal – O Filme” ganha primeiro trailer e concorre no Festival de Gramado

Depois de muita expectativa, finalmente foi divulgado o primeiro trailer de “Simonal – O Filme”, com Fabrício Boliveira no papel do cantor e Ísis Valverde como Tereza Pugliesi. A dupla volta a viver um casal depois de “Faroeste Caboclo” (2013). O longa é dirigido por Leonardo Domingues e se concentra na ascensão do artista, quando ele reunia multidões em seus shows, apresentou programas de TV e ganhou muito dinheiro ao se tornar garoto-propaganda da Shell. A produção musical é de Wilson Simoninha e de Max de Castro, filhos de Simonal e Tereza. Caco Ciocler, Silvio Guindane, Mariana Lima e Claudio Mendes também estão no elenco. Leandro Hassum interpreta o produtor musical Carlos Imperial e João Velho faz o papel de Miéle.

Íris e Fabrício

A história já havia sido contada em “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, de Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, o documentário musical mais visto de 2009, nas biografias “Nem Vem que Não Tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonal”, de Ricardo Alexandre (também de 2009), e “Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga: Simonal e os limites de uma memória tropical”, de Gustavo Alonso, lançada em 2007. A vida do cantor também foi transformada em dois musicais, “S’imbora, o musical” e “Show em Simonal”, ambos com o talentosíssimo Ícaro Silva no papel principal.

Simonal, O Filme

“Simonal – O Filme” será exibido pela primeira vez dia 20 de agosto no Festival de Cinema de Gramado, que acontece de 17 e 25 na cidade gaúcha, e participa da Mostra Competitiva. O filme é uma co-produção da Pontos de Fuga e Globo Filmes, com distribuição da Downtown/Paris Filmes e previsão de estreia nacional para 2019.

Veja o trailer:

Cartaz. Fonte: Adoro Cinema

Primeiro cartaz do filme

Estou bem animada pra estreia desse filme pois Simonal é meu cantor brasileiro favorito! Coordenei as ações de divulgação do documentário de 2009 nas redes sociais foi um dos trabalhos mais gratificantes de minha carreira como comunicadora. Wilson Simonal tem que ser lembrado e celebrado o tempo todo! <3

Meu TEDx já está no ar no YouTube do TEDx Talks!

Aqui neste post abriu meu coração e contei como foi minha preparação para o TEDx Laçador – Repense, em Porto Alegre, com toda a ansiedade pela qual passei.

Agora finalmente está no ar no YouTube o talk que apresentei dia 30 de junho. Falei sobre como a moda pode trazer dignidade, identidade e pertencimento e de como esse universo que eu antes considerava chato e fútil acabou me despertando para a realidade de outras mulheres gordas como eu. Fico duplamente feliz pois foi o primeiro TEDx do Brasil falando sobre moda plus size e sobre representatividade gorda! Uma conquista de todas nós! \o/

Aqui o texto completo! ;-) Lá na hora acabei improvisando e acrescentando algumas coisas então passei do tempo previsto. As imagens são algumas das que usei na apresentação na tela.

Flávia Durante @ TEDxLaçador

Olá, boa noite!

“Aqui não tem NADA do seu tamanho!”
“Oi, estranha que eu nunca vi na vida, nunca pensou em fazer uma bariátrica?”
“Tenho aqui um produtinho milagroso para você perder peso!”
“Você está a um ponto de um ataque cardíaco!”
“Você deveria ser processada!”
“Você merecia morrer!”

Essas são apenas algumas das “gentilezas” que pessoas gordas como eu escutam nas ruas ou leem o tempo todo na internet.

Em uma sociedade movida pela perfeição, o gordo é o último na fila da empatia. Pessoas gordas atraem preconceito e ódio até de grupos minorizados. A gente carrega estigmas independente de nossas personalidades individuais.

Somos vistos como doentes, incapazes e relaxados. Somos excluídos da moda e do mercado de trabalho, os médicos nos mandam emagrecer antes do “boa tarde” e nossa acessibilidade é restrita. Quem é gordo sabe bem do que estou falando, a gente pensa três vezes antes de sentar em qualquer cadeira ou de passar por uma catraca. O mundo não foi feito e nem pensado para nós.

Na mídia e na cultura pop só nos restam três papéis: o da gorda sexy, da amiga gorda virgem ou o do gordinho engraçado. E a nossa existência só é reconhecida se aceitarmos que somos doentes ou se quisermos emagrecer.

Foi um universo que eu rejeitava e achava superficial, a MODA, que marcou minha abertura para a defesa das ideias e da realidade de outras mulheres gordas como eu. E foi a minha identificação com a história de uma menina de 13 anos de idade que se tornou o momento definitivo de virada na minha carreira de jornalista para empreendedora social.

Em 2012 – para fazer uma renda extra no final do ano, como todo brasileiro – comecei a revender biquínis GG. Fui criada na praia e mesmo sem saber já inspirava minhas amigas com os modelos que eu usava. Fio dental, tomara que caia, sem pudor algum de exibir o meu corpo e de curtir cada momento do verão.

Depois que comecei a vender biquínis, tive a ideia de fazer um bazar. Até existiam roupas para gordos mas não existia moda! Até 10 anos atrás havia lojas com nomes pouco convidativos como A PORTA LARGA ou A GORDA ELEGANTE. Eram peças sem graça, de cores escuras ou em forma de saco de batata. Feitos para a mulher gorda esconder suas formas e mesmo sua existência.

“Não há boa autoestima que resista a décadas sendo maltratada e ignorada, quando o que você queria era somente se vestir e estar inserida nas tendências da moda.”

Eu tinha três opções de consumo: o departamento de gestantes, – sendo que nunca tive filhos -; a seção masculina, – sendo que não sou homem -, e as lojas de senhoras, – sendo que mesmo hoje aos 41 anos estou bem longe de me sentir uma. Não há boa autoestima que resista a décadas sendo maltratada e ignorada, quando o que você queria era somente se vestir e estar inserida nas tendências da moda.

Logo de cara meu bazar foi um sucesso e cresceu sem parar! Entendi que não era de Moda que eu não gostava e sim de não me sentir nem incluída e nem representada. Mas até aí eu levava esse bazar como apenas mais uma de minhas atividades como jornalista, DJ e produtora.

Foi só por volta de 2014 que tive o grande estalo! E vi como esse evento estava se tornando muito mais do que um centro de compras…

Foi uma cena corriqueira, algo que poderia ser bem simples: uma adolescente de 13 anos experimentando uma roupa. De repente vejo uma movimentação no bazar e vejo que ela estava com os olhos cheio de lágrimas. Não apenas por ter encontrado um vestido que finalmente lhe cabia, mas também um ambiente de empatia e acolhimento que ela nunca havia experimentado antes. E aí tive certeza do absurdo que era submeter gente tão jovem à pressão estética tão cedo.

Crédito: Robson Leandro da Silva

Olhei aquela cena e me caiu uma ficha! Não é possível que algo tão simples se torne um martírio por conta dos padrões que alguém – QUEM? criou. Me identifiquei imediatamente com ela e lembrei de todas as vezes que ia embora para casa triste e frustrada depois de entrar em dezenas de lojas. Mesmo sabendo que eu não estava errada por ser “diferente”. E que o mercado de moda é que DEVERIA oferecer opções PARA TODOS.

A partir dessa cena, esse trabalho se tornou uma missão muito séria para mim. Decidi que mulheres e homens gordos seriam meu foco e que eu trabalharia para ajudar de alguma forma para que eles se vissem e fossem vistos como mais do que consumidores, mas também como possíveis influenciadores, novos fashionistas mas, acima de tudo, como gente merecedora de respeito.

“A moda é uma forma de expressão que fala sobre quem somos, o que pretendemos ser e como queremos ser percebidos.”

E foi a moda que me despertou para a questão da gordofobia, da representatividade e da visibilidade das pessoas gordas. Pois moda é muito mais do que estar em dia com as tendências das passarelas. Moda é identidade, e o acesso a moda nos traz um sensação de pertencimento e nos dá dignidade. A moda é uma forma de expressão que fala sobre quem somos, o que pretendemos ser e como queremos ser percebidos.

Porém, para o mundo da moda, magreza sempre foi sinônimo de elegância e pessoas gordas, sinônimo de desleixo e cafonice. E poucos dessa indústria já enxergaram esse público. No Brasil, somente 17% do varejo de moda atende o segmento, sendo que quase 60% dos brasileiros vestem plus size.

Somos medidos por um índice criado em 1832, o IMC, o Índice de Massa Corporal, inventado pelo matemático e estatístico belga Adolphe Quetelet. Esse índice foi encomendado pelo governo francês em plena Revolução Industrial para criar um padrão mínimo de peso que um trabalhador deveria ter para retornar à fábrica todos os dias, para produzir força de trabalho.

Aí a gente tem parte da explicação da origem do ódio por pessoas gordas. A magreza é cultuada não só pela estética e por questões morais, mas também por pressão dos modelos econômicos.
Ou seja, um corpo francês do século 19 se tornou o padrão universal que mede até hoje os corpos de todas as pessoas. Nossa vida, saúde e competência são pautados por uma fórmula do século retrasado! Com tudo o que o mundo evoluiu nas últimas décadas, isso não me parece justo.

E se a gente não questiona a Medicina, por exemplo, a homossexualidade até hoje estaria no Código Internacional de Doenças.

Se houvesse mesmo preocupação com a saúde do gordo, por que não equipar hospitais com os aparelhos adequados e exigir dos médicos um atendimento humanizado? Se uma pessoa com mais de 120 quilos precisar de ressonância magnética vai ter que fazer em uma hípica ou hospital veterinário. “Gorda desse jeito seu marido não vai querer fazer filho em você”, foi o que uma amiga ouviu em um consultório. Somos patologizados e desumanizados o tempo todo.

De forma alguma estou fazendo “apologia à obesidade”. Estou simplesmente defendendo a liberdade individual das diferenças. Para que todas as pessoas sejam tratadas da mesma forma e possam conviver dignamente em sociedade.

A demanda pela moda plus size é tão reprimida aqui no Brasil que esse pequeno bazar que criei em 2012 para que cada vez mais mulheres perdessem o medo de usar um biquíni na praia -, virou o Pop Plus, uma grande feira que atrai uma média de público de 12 mil pessoas e 70 marcas por edição.

E a cada feira ouço várias histórias de “primeiras vezes”. E me emociono até hoje, quase seis anos depois. A primeira vez que uma mulher gorda de 30, 40, 50 anos se permitiu comprar um biquíni, uma blusinha de alça ou uma vestido curto. São inúmeras histórias de redescoberta do amor próprio. A gente mostra a todo momento para essas mulheres que elas não estão sozinhas no mundo. O nosso fotógrafo lembra bem do início do evento. Se antes se escondiam da câmera, hoje pulam na frente dele pedindo para serem retratadas.

Crédito: Robson Leandro da Silva

Mas mesmo com esse crescimento, se eu precisar de um vestido maravilhoso para usar HOJE não posso simplesmente entrar em qualquer shopping center e escolher o que quero. Para quem veste acima do 54 então fica ainda mais difícil.

Hoje até sou uma pessoa que pode escolher e que não precisa mais recorrer apenas a roupas para senhoras, homens ou grávidas. Agora me olho no espelho e me sinto satisfeita com o que vejo e como me visto. Mas há mulheres e homens pelo Brasil que ainda não conseguem nem o básico. Precisamos popularizar ainda mais o acesso a moda plus size para todos os bolsos e tamanhos.

A gente vive uma era na qual os profissionais estão repensando a moda em termos de sustentabilidade, de consumo consciente e de gênero. Só que é preciso também incluir pessoas de diferentes tipos de corpos, tamanhos e necessidades. E não só como potenciais consumidores e modelos, mas também como possíveis gestores e criadores de uma nova mentalidade com inclusão real. Que não fique só no discurso e no marketing vazio.

“Minha luta, na verdade, não é sobre moda e nem sobre autoestima e sim sobre respeito, autonomia e liberdade. Não tem melhor coisa do que exercitar a liberdade de ser quem a gente é.”

Revisitando minha trajetória para construir essa palestra percebi que a minha luta, na verdade, não é sobre moda e nem sobre autoestima e sim sobre respeito, autonomia e liberdade. Não tem melhor coisa do que exercitar a liberdade de ser quem a gente é.

Crédito: Robson Leandro da Silva

A minha vontade não é criar um novo padrão de beleza e sim quebrar todos os padrões. Até porque beleza nem é a principal causa de minha luta. Quero mostrar que ser gordo é normal e que não é a pior coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa. Para a mulher não achar que sua vida acabou se ela engordar. Que ela não se entupa de remédios que só destroem sua saúde mental e emocional. Que não mutile o seu corpo. Que não chore ao sair de uma loja. Que não deixe de viver sua vida. Porque a vida pode dar mesmo o maior praião quando a gente convive com as diferenças e aprende a se amar.

E que a gente jamais perca um dia de sol lá fora.

Obrigada.

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Todos os TEDxLaçador podem ser vistos no canal do TEDx Talks. 

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Agradecimentos:

Ana Goelzer e toda equipe do TEDxLaçador; todos os queridos colegas palestrantes do TEDxLaçador, que já viraram amigos; Fernanda Danelon, pela indicação para o elenco de palestrantes; Fabio Rex e Vitor Bastos (Tambor), por acreditarem em meu potencial; minha preparadora vocal, Joana Duah, por lapidar o meu potencial; Célia Mello, minha psicóloga querida; Robson Leandro da Silva, por registrar esses incríveis momentos do Pop Plus; Mariane Maure, pela montagem das manchetes; Camila de Lira, pela revisão do texto; Arlise Cardoso e a todas as amigas de Porto Alegre, pelo apoio e receptividade; Luciana Martinez, pelo apoio, amor e o look lindo da Allure Plus Size; Rita de Cássia Zarpellon, Vanessa Joda, Vivi Schwäger, Kalli Fonseca, Rack Land, pela autorização do uso de imagem; Caroline Souza Calazans, pela autorização do uso de imagem e por ter sido a responsável por esse grande estalo na transição de minha carreira; a todos os parceiros, amigos, clientes e colaboradores do Pop Plus; Hector Lima, meu marido, pelo seu amor, companhia, respeito e compreensão.

Circuito Cultural comemora 208 anos de independência da Colômbia com festival em São Paulo

Depois do sucesso da primeira edição em 2017, São Paulo recebe mais uma vez em julho o Circuito Cultural Colombiano para continuar mostrando ao público migrante e ao brasileiro a diversidade cultural da Colômbia e a alegria do seu povo. A grande festa conta com uma série de atrações culturais, folclóricas e gastronômicas para comemorar o mês da independência da Colômbia.

A programação estreia no sábado, 7 de julho, com exibição do documentário “Totó”, de Hector Francisco Córdoba, sobre a grande dama da música folclórica colombiana Toto La Momposina. O circuito percorre vários bares, praças e centros culturais da cidade e tem o encerramento oficial no dia 17 de agosto.

Para acompanhar diariamente a programação curta a fanpage do evento www.facebook.com/circuitoculturalcolombiano

Circuito de 2017

Leia mais neste blog: 

Minha primeira experiência em um TEDx

TEDxtê

No último sábado participei pela primeira vez de um TEDx e fiquei muito feliz em ver minha postura altiva nas fotos. Sofri MUITO com a timidez na infância e adolescência e só na idade adulta desbundei e deixei a cara de pau aflorar (não era introvertida não, só estava no armário rsrs). Mas um resquício dessa timidez sempre ficou, tanto que em minha carreira como jornalista sempre preferi escrever, pautar, editar e pesquisar do que ser repórter de rua. E não sofri tanto na transição da carreira para empreendedora da área de moda e eventos pois sempre gostei mais dos bastidores e de produção.

Ao longo da vida participei de vários debates como convidada ou moderadora e fui entrevistada por alguns veículos por conta de meu trabalho com o Pop Plus e mesmo antes, quando atuava com música independente, com a Popscene ou quando fazia o informativo Assessorindie. Mas ainda tenho uma dificuldade enorme em palestrar solo. Na verdade foi já a terceira vez que fiz isso, então até preciso me cobrar menos. Mas como gosto sempre de dar a real, pois a vida não é perfeita, vou contar todo o drama que foi pra mim essa preparação para você, mulher que ainda sofre com isso, saber que não está sozinha!

O convite pro TEDx Laçador, que acontece em Porto Alegre, foi feito há uns nove meses pela querida Ana Goelzer e fiquei muito feliz. Participar de um TEDx virou meta desde que entrei na briga por uma moda mas democrática e pelo respeito às pessoas gordas, pois acho necessário essa discussão sair cada vez mais de nossa bolha e se espalhar por toda a sociedade.

Fiz uma super preparação. Li o livro do Chris Anderson, pesquisei, preparei, escrevi e reescrevi o texto 10 vezes. Fiz aula de expressão corporal, dicção e voz com muito amor, carinho e cuidado com a ajuda da própria Ana, da preparadora vocal Joana Duah (recomendo MUITO!) e tive apoio até da minha psicóloga Célia Regina de Mello. Mas na fase de memorização não consegui ensaiar como eu gostaria, pois meu ritmo de trabalho foi intenso nos últimos meses e o texto não ficou na ponta da língua. E ainda fiquei gripada, com asma e sem voz depois do Pop Plus de junho. Stress, cansaço e ansiedade sempre baixam minha resistência e ferram meu sistema respiratório.

Nos dias anteriores ao TEDx me deu uma PUTA crise de ansiedade, a famosa “Síndrome de Impostora”, aquela que dá a ponto de você se questionar “por que aceitei isso?”, “não sou capaz” e “nunca mais”. Tanto que houve transmissão ao vivo e não divulguei o link para ninguém, nem para a minha família, rsrs. Só passei pro Hector Lima, meu amor e companheiro que aguenta essas minhas crises.

No ensaio geral da véspera fui péssima, tive vários brancos, aí fiquei mais apavorada ainda. Mas aí o que me tranquilizou foi lembrar do TEDx da doutora em Psicologia Social Lia Vainer Schucman, do TEDx da professora e doutora Amara Moira e da palestra da maravilhosa médica  Júlia Rocha, que foi logo antes da minha.

O TEDx de Lia Vainer Schucman, autora da tese que virou livro “Entre o “encardido”, o “branco” e o “branquíssimo”: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana”

Amara Moira desconstrói o senso comum sobre travestis e mostra o porquê os palcos também devem ser delxs

Nesta palestra repleta de humanidade, Júlia nos fala sobre o direito universal à saúde e sobre a importância da humanização do atendimento médico através da escuta e do olhar atento, trazendo à tona histórias de vida e de cura

Elas me mostraram que a técnica ajuda mas que não precisa ser perfeita, o que importa é a mensagem que você tem a passar. Sem falar do texto da Thais Fabris que eu já compartilhei umas 10 vezes. Pra quem ainda não viu é esse aqui:

“Mulher, se um microfone estiver vindo em sua direção, se te chamarem num palco, se te pedirem para apresentar algo, você NÃO, NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA diz “não vou, sou tímida, tenho vergonha” e MUITO MENOS você deixa um homem ir no seu lugar. Ergue sua voz no espaço público. Por você. Por mim. Por todas as que não têm essa chance. Por favor. Por amor. ❤”

Aí respirei fundo e fui. Eu poderia não ter usado a colinha, ter mexido menos os braços, falado menos “né”? Poderia! Mas consegui passar a mensagem e a repercussão foi ótima! Consegui ser eu, falar coisas sérias, tristes e alegres, dar uma improvisada, tanto que passei uns 5 minutos do tempo previsto, rsrs.


Facilitação gráfica da palestra feita por @helice.cc

Muita gente veio falar comigo depois por ter se identificado, por empatia, por ter um parente que é gordo e que vê como a pessoa sofre por ser excluída da sociedade. E me emocionei quando uma médica chegou pra mim e falou, citando Raul Seixas, “eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes”. E aí eu vi que cheguei onde queria chegar, a ajudar nessa mudança de pensamento – como também tem sido feito de forma brilhante por outros ativistas gordos que admiro e que me inspiram diariamente nessa caminhada! REPENSE era justamente o tema do TEDx Laçador 2018.

O mote da minha fala foi sobre como a moda – um universo tido como superficial – abriu minha cabeça para a defesa das ideias e da realidade de outras mulheres gordas como eu. Mas que minha luta, na verdade, não é só sobre moda, beleza ou autoestima e sim sobre autonomia, liberdade e, acima de tudo, respeito. (O vídeo deve entrar no ar em 30 dias, quando estiver pronto eu posto aqui).

Participar do TEDx Laçador foi uma experiência inesquecível, um turbilhão absurdo de emoções da qual nunca vou esquecer tão cedo. Medo, ansiedade, admiração, risos, choro, tudo ao mesmo tempo! Mulheres e homens de origem humilde, pessoas de origem privilegiada, gente como eu e você, todas com algo em comum: pessoas que têm o bichinho da insatisfação dentro de si e que estão fazendo algo pela sua comunidade, quebrando paradigmas e fazendo a sociedade repensar.

Mulher, não é raro que muitas de nós tenhamos receio de nos expressar em público pois é esperado de nós que a gente se cale e só aceite tudo sem questionar. Mas tá com medo, vai com medo mesmo. Pois algumas coisas TÊM QUE ser ditas, ainda mais em tempos como esses! Enfim, cerque-se de uma rede de apoio, prepare-se do jeito que for possível, inspire-se em outras mulheres que você admira, mas jamais deixe passar uma oportunidade de erguer sua voz no espaço público! Você não está sozinha!

Update 23/07 = enfim no ar o vídeo do meu TEDx!

“Eu sou porque nós somos” #Ubuntu

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